invera foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /var/www/wordpress/wp-includes/functions.php on line 6114A cadeia produtiva de alimentos e bebidas responde por praticamente 20% do emprego industrial do Pará e apresenta potencial de expansão a partir da industrialização e da agregação de valor aos produtos regionais. Esse foi o ponto de partida do evento “Cadeias Produtivas – Alimentos e Bebidas”, realizado nesta segunda-feira (14) pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), por meio do Observatório da Indústria, em parceria com o SENAI e a Rede de Observatórios do Sistema Indústria, em Belém.
A iniciativa apresentou dados, diagnósticos e análises sobre o setor, com foco nas cadeias de açaí, cacau, mandioca, carne bovina e dendê. O mapeamento possibilitou identificar oportunidades de crescimento, desafios, tendências de mercado e possibilidades de inovação, contribuindo para a formulação de estratégias que ampliem a competitividade da indústria paraense e agreguem valor à produção.
De acordo com dados do Observatório da Indústria da FIEPA, a divisão de fabricação de produtos alimentícios concentra 17,9% dos 253.791 vínculos industriais do estado, o equivalente a 45.350 empregos. O segmento lidera o ranking entre as 35 divisões industriais analisadas, enquanto bebidas ocupam a 14ª posição. Somadas, as duas atividades superam qualquer outro segmento industrial do Pará.
O levantamento também aponta que a cadeia apresenta crescimento estável, diferentemente de outras divisões econômicas sujeitas a oscilações sazonais. Os maiores grupos, como carne, outros produtos alimentícios, óleos e gorduras e conservas de frutas e vegetais, concentram 79,3% do emprego do setor. A composição evidencia a conexão da indústria com a base agropecuária e extrativa do estado, incluindo pecuária, fruticultura, pescado e oleaginosas.
Verticalização e pesquisa aplicada
Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, o mapeamento representa uma oportunidade de identificar caminhos para a verticalização da produção paraense, com maior incorporação de processos industriais e conhecimento tecnológico.
“Nós entendemos a importância de trazer essa oportunidade de verticalização. Nós identificamos o potencial do Pará na agregação de valor, trazendo o atributo da industrialização dos nossos produtos”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa também deve aproximar a pesquisa aplicada das cadeias produtivas que representam vocações econômicas do estado.
A proposta envolve a articulação entre indústria, instituições de apoio, especialistas e demais atores do ecossistema produtivo. A intenção é ampliar o conhecimento sobre os diferentes elos das cadeias e apoiar decisões voltadas ao desenvolvimento industrial.
O diretor regional do SENAI Pará e superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, destacou a necessidade de ampliar o reconhecimento sobre o potencial produtivo da Amazônia. “Nós sabemos o potencial que tem no estado e na Amazônia em si. E isso nunca foi visto. Nunca foi observado, nem por nós e principalmente por quem não é da região. E nós estamos aqui dando a oportunidade para que todos os segmentos voltados a alimentos e bebidas sejam indutores do desenvolvimento de toda a região. São aqueles produtos que nós temos com muito mais visibilidade.”
Cadeia estratégica para a economia paraense
O gerente do Observatório da FIEPA, Felipe Freitas, apresentou os fatores que justificam a escolha do setor como ponto de partida do projeto de mapeamento das cadeias produtivas. Entre eles estão a relevância na geração de empregos, o crescimento acima da média, a capilaridade territorial e a inserção consolidada no mercado externo.
“Primeiro, é o maior empregador da indústria. Segundo, o crescimento acima da média. É um setor perene, estável e que apresenta crescimento”, explicou.
Freitas também ressaltou a presença de indústrias de diferentes portes nos 144 municípios paraenses, o que confere à cadeia ampla distribuição territorial. A demanda internacional por produtos regionais, por sua vez, reforça a importância estratégica do segmento para a economia do estado.
O mapeamento inicial contempla cinco cadeias produtivas. A seleção reúne atividades associadas à produção e ao processamento de alimentos, incluindo o abate de carne bovina, identificado como o maior empregador entre os grupos analisados, além de produtos com relevância regional e potencial de processamento, como mandioca, dendê, cacau e açaí.
A abordagem do projeto considera a cadeia produtiva de forma integrada, desde a obtenção da matéria-prima até a comercialização dos produtos. Segundo Claudio Rodrigues, coordenador estratégico do Instituto SENAI de Tecnologia – Alimentos e Bebidas, essa perspectiva permite compreender a realidade do setor para além da produção industrial.
“Esse é um projeto que vai trazer não apenas o know-how, mas também uma visão diferente da realidade que a gente enfrenta na área de alimentos e bebidas. Ele parte da produção da matéria-prima, seja pelo extrativismo ou pela agricultura, até chegar à etapa final, que envolve a comercialização.”
Com o mapeamento, a FIEPA e as instituições parceiras buscam reunir informações capazes de orientar ações de desenvolvimento, inovação e fortalecimento da indústria de alimentos e bebidas no Pará, considerando as características produtivas do estado e as oportunidades de agregação de valor aos produtos regionais.
Quanto a confiança do empresário influencia a decisão de contratar? Um novo estudo do Observatório da Indústria do Pará, da FIEPA, investiga essa relação e dimensiona como mudanças nas expectativas empresariais estão associadas à geração de empregos formais no estado.
Intitulado “Confiança que vira carteira assinada”, o levantamento analisa 72 meses, de janeiro de 2020 a dezembro de 2025, combinando o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) e dados das Sondagens Industrial e da Indústria da Construção, realizadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL Pará), com os registros de admissões e desligamentos do Novo CAGED.
A novidade está em ir além do acompanhamento isolado desses indicadores. Por meio de modelos econométricos, o estudo busca identificar em que medida e com que velocidade mudanças na confiança se refletem no emprego, revelando comportamentos distintos entre a indústria e a construção.
Os resultados mostram uma relação mais forte e imediata na construção. Na indústria, embora a resposta estimada também seja positiva, ela é menor e estatisticamente imprecisa. Essa diferença está relacionada às características de cada atividade, enquanto a construção consegue ajustar suas equipes mais rapidamente ao início e ao encerramento de obras, a indústria paraense possui forte presença de grandes plantas ligadas à mineração e à transformação mineral, com decisões influenciadas também por contratos de longo prazo e pelo mercado internacional.
Outro dado chama atenção: na construção, a relação apresenta sinais de funcionar em duas direções. As expectativas se relacionam com as contratações, mas o desempenho do emprego também ajuda a antecipar o comportamento futuro da confiança empresarial, indicando um processo de retroalimentação entre percepção e atividade econômica.
A análise ganha relevância diante do cenário observado em 2025. Em dezembro, o ICEI da construção caiu para 34,2 pontos, o menor resultado dos 72 meses analisados e inferior até ao registrado no pior momento da pandemia no setor.
Mais do que apresentar números conjunturais, “Confiança que vira carteira assinada” propõe uma nova leitura sobre os indicadores empresariais no Pará, mostrando como as expectativas podem ajudar a compreender movimentos concretos do mercado de trabalho e o porquê essa relação assume intensidades diferentes conforme a estrutura de cada setor.
O estudo completo apresenta a dimensão estimada desses efeitos, sua duração, as diferenças entre indústria e construção e os possíveis desdobramentos da deterioração recente da confiança. O material está disponível para download no site do Observatório.
A indústria do Estado do Pará encerrou os primeiros cinco meses de 2026 mostrando uma retomada do emprego formal, apesar de registrar também uma oscilação típica de uma economia muito dependente das cotações globais. De acordo com o boletim desenvolvido pelo Observatório da Indústria da FIEPA, entre altos e baixos na produção física e na arrecadação tributária, o setor consolidou sinais claros de recuperação, impulsionado principalmente por grandes projetos de infraestrutura, mineração e construção civil no interior do estado.
De janeiro a maio, a arrecadação de ICMS da indústria ampla (que envolve extração, transformação, construção, energia e saneamento) somou R$ 4,66 bilhões. O valor representa uma alta nominal de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo-se praticamente estável quando descontada a inflação (-0,4%). O resultado aponta para uma base de negócios resiliente, que consegue resistir ao cenário macroeconômico mesmo sem registrar um crescimento explosivo.
O mercado de trabalho é o grande destaque positivo de 2026. Apenas no mês de maio, a indústria paraense gerou 1.864 novos postos de trabalho com carteira assinada. Esse foi o melhor resultado mensal do ano, consolidando uma retomada que ganhou força desde fevereiro.
No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, o saldo de contratações alcançou 2.777 novas vagas formais. Esse fôlego na geração de empregos se concentrou em três pilares fundamentais ligados ao ciclo de grandes investimentos no estado: indústrias extrativas, com abertura de 940 vagas; saneamento e gestão de resíduos, com 918 novos empregos; e construção civil, que registrou saldo de 724 vagas.
Canaã dos Carajás lidera o mapa do desenvolvimento
A força da atividade industrial paraense está fortemente ancorada no interior. No topo do ranking de contratações industriais do estado, Canaã dos Carajás desponta isolada na liderança, sendo responsável pela criação de 514 vagas formais no acumulado do ano. O protagonismo do sudeste paraense é reforçado por Parauapebas, que aparece na segunda posição estadual com 399 postos criados.
A capital Belém garantiu o terceiro lugar com 264 vagas, seguida por Tomé-Açu (250) e Oriximiná (211), mostrando que o desenvolvimento tem se distribuído por polos estratégicos do estado.
Produção industrial
Apesar do otimismo no emprego, o volume de produção física da indústria local acendeu um sinal de alerta. Em abril (dado mais recente do IBGE), a produção industrial do Pará registrou recuo de 5% na comparação com o mês anterior. A indústria paraense operou com índice de 95,1 pontos (tendo 2022 como base 100), patamar inferior à média nacional de 101,9. Essa oscilação evidencia a alta exposição do estado a poucos setores.
No entanto, a fabricação de celulose, papel e produtos de papel disparou expressivos 44,4% na comparação com abril do ano passado, sustentando a liderança folgada de crescimento no acumulado de 2026 (+27,1%). Na outra ponta, os segmentos mais afetados pelas flutuações de preços internacionais e demanda interna foram a fabricação de produtos de madeira (-10,1%), de minerais não metálicos (-9,3%) e a indústria de alimentos (-9,1%).
Arrecadação por setores
A dinâmica tributária do estado também reflete essa concentração produtiva. O recolhimento de ICMS industrial de maio (R$ 938,2 milhões) ficou concentrado em três grandes pilares, que juntos respondem por 60% de toda a arrecadação da indústria ampla no Pará: eletricidade e gás (R$ 231,7 milhões); coque e derivados de petróleo [refino] (R$ 223,5 milhões); extração de minerais metálicos (R$ 112,2 milhões).
Das três grandes fontes, apenas a extração mineral registrou ganho real relevante (+6%), enquanto o setor de refino de petróleo teve recuo de 7,5% no mês. A queda simultânea na arrecadação de gigantes como a metalurgia (-24,8%) e o refino de petróleo explica por que o faturamento real do estado no mês fechou em terreno levemente negativo (-3,6%), mesmo com avanços expressivos de setores menores, como máquinas e materiais elétricos (+41,5%) e produtos químicos (+20,3%).
Apesar dos desafios globais, a disposição do paraense em empreender continua ativa. O estado mantém uma média consistente de abertura de novos negócios, registrando picos expressivos no início do ano, como a abertura de 1.517 novas empresas industriais em janeiro de 2026.
As microempresas respondem por impressionantes 81,36% do total de negócios ativos do estado (133.883 registros), atuando principalmente na construção civil e nas indústrias de transformação.
“Embora esse predomínio confira grande flexibilidade à economia local, o estudo técnico alerta que essas pequenas empresas ainda enfrentam barreiras severas de competitividade, acesso a crédito e inserção em mercados nacionais e internacionais. O grande desafio estratégico do Pará a médio e longo prazo continua sendo a capacidade de atrair investimentos que agreguem valor localmente aos recursos minerais e florestais, reduzindo a dependência histórica do estado aos ciclos de preços internacionais”, avalia o gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, Felipe Freitas.
O Observatório da Indústria da FIEPA lançou o estudo “Paradoxo da Qualificação: Uma Análise da Inserção Feminina na Economia do Pará (2008–2024)”, levantamento que analisa a participação das mulheres no mercado de trabalho formal paraense e os desafios relacionados à renda, qualificação, empregabilidade e liderança profissional.
A indústria do Pará atravessou o segundo trimestre de 2025 sob influência direta do cenário internacional das commodities, que segue determinante para o desempenho do setor no Estado. Levantamento do Observatório da Indústria da FIEPA, com base em dados da Fapespa, mostra que o comportamento do período esteve associado, sobretudo, às oscilações de preços no mercado externo, especialmente do minério de ferro, principal produto da pauta mineral paraense.
Entre abril e junho, segmentos relevantes da indústria apresentaram variações distintas, com destaque para eletricidade e gás e para a indústria extrativa, atividade de maior peso na composição do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Estado. A extrativa, sozinha, responde pelo maior valor agregado da indústria paraense, somando cerca de R$ 8,28 milhões no período, o que faz com que qualquer movimento nos preços internacionais tenha impacto direto sobre o resultado agregado do setor.
O principal vetor dessa dinâmica foi o comportamento do minério de ferro. No segundo trimestre de 2025, o preço médio da commodity recuou para US$ 99,1, o menor nível desde 2024. A redução afeta o valor nominal da produção mineral, ainda que os volumes extraídos permaneçam em patamares elevados. Na prática, o desempenho do PIB industrial reflete mais a variação de preços do que mudanças estruturais na capacidade produtiva instalada no estado.
Segundo Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, o resultado deve ser interpretado dentro desse contexto internacional. “O que observamos no segundo trimestre é um ajuste conjuntural. A base produtiva da indústria paraense segue sólida, mas o valor do PIB é sensível ao comportamento das commodities. Quando o preço do minério recua, o impacto aparece nos indicadores, mesmo sem alteração relevante no nível de produção física”, explica.
Essa característica ajuda a entender por que a indústria não reproduziu, no mesmo período, o ritmo observado na agropecuária, por exemplo. Enquanto o agro é influenciado por fatores internos, como clima, safra e produtividade, a indústria mineral responde majoritariamente a ciclos globais de demanda e cotação. São lógicas distintas, que explicam movimentos diferentes entre setores sem indicar perda de competitividade industrial.
No campo dos investimentos, a construção civil manteve trajetória de expansão e registrou crescimento de 19,57% no segundo trimestre, impulsionada por obras de infraestrutura e pelos projetos associados à preparação do Estado para a COP30. O avanço do segmento sinaliza a capacidade de mobilização do ambiente produtivo local, ainda que seus efeitos se distribuam ao longo do tempo e não se concentrem em um único trimestre.
Na comparação com o mesmo período de 2024, a leitura é mais favorável. A indústria contribuiu para a elevação do PIB do Pará em 5,72%, evidenciando que, apesar das oscilações de curto prazo, o setor mantém trajetória consistente no horizonte anual. A diferença entre o resultado trimestral e o anual reforça o peso do fator preço na análise econômica, sobretudo em economias com forte presença do setor mineral.
Felipe Freitas avalia que o segundo semestre tende a apresentar um ambiente mais construtivo. “As projeções indicam uma recuperação gradual dos preços do minério de ferro, o que deve se refletir no valor da produção e no desempenho do PIB industrial. Com esse movimento, a expectativa é de os números reflitam um fechamento de ano mais equilibrado para a indústria paraense”, afirma.
Os dados apontam para preços médios do minério em torno de US$ 104 no terceiro trimestre e US$ 107 no quarto trimestre, cenário que pode devolver maior tração ao setor industrial do estado ao longo de 2025.
Apesar das oscilações registradas no encerramento do ano, o mercado de trabalho formal, no recorte da indústria e construção civil paraense, terminou 2025 com saldo positivo na geração de empregos. No acumulado de janeiro a dezembro, os dois setores somaram 5.125 novas vagas com carteira assinada, mantendo o resultado positivo, ainda que em ritmo mais moderado que o observado em 2024.
O desempenho reflete uma trajetória de crescimento durante o ano. Os dados foram levantados pelo Observatório da Indústria do Pará, a partir de informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Ao longo de 2025, o mercado de trabalho apresentou desempenho mais favorável entre fevereiro e setembro, período em que houve estabilidade e crescimento moderado, com pico de 3.137 vagas em setembro. Até então, o saldo acumulado superava 15 mil postos de trabalho. No entanto, o desempenho geral do ano foi puxado pela queda nos meses de outubro (-912), novembro (-1.901) e, principalmente, dezembro (-7.793). Na comparação anual, o saldo final de 2025 ficou 54% abaixo de 2024, quando o Estado havia criado 11.147 vagas nos dois segmentos.
De acordo com as análises do Observatório, a retração de dezembro foi puxada, sobretudo, pelo setor da Construção, que perdeu 6.557 empregos formais no mês. As maiores quedas ocorreram nas atividades de Construção de Rodovias e Ferrovias (-1.645) e Construção de Edifícios (-1.143), refletindo a conclusão de etapas de grandes obras no Estado. Entre as ocupações, destacaram-se as perdas de Servente de Obras (-1.249) e Pedreiro (-485).
Em contrapartida, alguns segmentos ligados à infraestrutura básica apresentaram desempenho positivo, como Água e Esgoto (+161) e Indústrias Extrativas (+154), além de funções técnicas como Operador de Estação de Tratamento de Água (+106).
No recorte territorial, a desmobilização concentrou-se nos principais polos econômicos. Belém liderou as perdas (-1.677), seguida por Parauapebas (-1.272) e Canaã dos Carajás (-942), municípios fortemente ligados à construção civil e a grandes projetos de infraestrutura. Ainda assim, alguns municípios registraram saldos positivos, como Bragança (+70), Curuçá (+25) e Tucuruí (+24).
O último trimestre do ano foi marcado por uma retração mais intensa, fenômeno associado à sazonalidade típica do período no Pará. Em dezembro, a construção e a indústria apresentaram saldo negativo de 7.793 postos de trabalho, resultado de 7.296 admissões contra 15.089 desligamentos. O volume de contratações caiu 31,05% em relação a novembro.
Segundo o gerente do Observatório da Indústria do Pará, Felipe Freitas, esse movimento não foge do padrão histórico. “Esse comportamento é esperado. A sazonalidade do fim do ano já é observada historicamente, com encerramento de contratos e conclusão de ciclos produtivos. Em 2025, esse efeito pode ter sido mais intenso, especialmente por causa da dinâmica das obras ligadas à COP30”, explica.
Para o Observatório, os dados mostram que a dinâmica do emprego no Pará está fortemente conectada aos ciclos da construção e de grandes obras. Embora a retração de dezembro tenha reduzido o ritmo do crescimento anual, o saldo positivo de 2025 demonstra que o Estado manteve a capacidade de geração de empregos ao longo do ano.
“O desafio está em ampliar a retenção de mão de obra e reduzir a volatilidade provocada pelo encerramento concentrado de contratos, especialmente nos grandes projetos”, avalia Felipe Freitas.
TEXTO: Emilly Melo / Comunicação FIEPA
O desempenho da pauta exportadora paraense em 2025 confirmou uma das combinações mais robustas dos últimos anos, sustentada pela força histórica do setor mineral e pelo avanço expressivo dos produtos agroindustriais. No acumulado de janeiro a dezembro, as exportações do Pará totalizaram US$ 24,23 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 21,49 bilhões.
Com esse resultado, o Estado manteve a terceira posição no ranking nacional de saldo comercial e segue como líder absoluto da Região Norte. O setor mineral permaneceu como o principal pilar: a alumina calcinada alcançou US$ 1,89 bilhão, enquanto o minério de ferro somou US$ 11,64 bilhões, exercendo papel determinante na economia estadual.
Na agroindústria, o destaque foi a carne bovina, que alcançou US$ 1,22 bilhão em vendas externas, impulsionada pela demanda da China. A soja também se consolidou com US$ 1,61 bilhão em exportações. Já o setor madeireiro registrou crescimento de 10,88%, tendo os Estados Unidos como principal destino.
Outros pontos altos de 2025 incluíram a retomada das exportações de bovinos vivos (US$ 574 milhões) e a ascensão do milho. A Ásia continua sendo o maior parceiro comercial do Pará, absorvendo 61,67% das vendas externas, seguida pela União Europeia e América do Norte.
Apesar dos desafios globais e do “tarifaço” do governo Trump, o Pará preservou sua relevância. Um avanço estratégico foi a retirada da taxação sobre o açaí em novembro, abrindo portas para o mercado norte-americano. Contudo, dados da FIEPA alertam para a vulnerabilidade de municípios que dependem quase exclusivamente da cadeia do açaí, como Igarapé-Miri e Muaná.
“Mesmo em um cenário global marcado por instabilidade, o Pará manteve trajetória de crescimento, expandiu sua base comercial e reforçou sua relevância estratégica. A combinação entre o vigor do setor industrial e o fortalecimento do agronegócio consolidou 2025 como um ano de avanços estruturais”, declara Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEPA.
Durante a COP30, a Jornada COP+ também realizou o Fórum de Excelência Industrial Sustentável.
Uma transição justa para a Amazônia brasileira, pautada no fortalecimento da sociobioeconomia, no combate ao desmatamento e queimadas ilegais e em um modelo econômico circular que conserve a floresta e gere renda e desenvolvimento social. É o que a indústria paraense quer deixar como legado para além da COP30, a partir de uma transformação que já começou com o movimento Jornada COP+. A iniciativa multissetorial liderada pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) impactou mais de 30 mil pessoas com diversas ações e iniciativas. Durante a COP, o movimento entregou documento com recomendações para a descarbonização da economia, guia de práticas sustentáveis para pequenas e médias empresas, reconheceu soluções que já estão fazendo a diferença na indústria amazônica e anunciou programas permanentes para o setor produtivo.
Na Casa SESI Indústria Criativa, casarão histórico restaurado pelo Sistema FIEPA e entregue para Belém neste mês de novembro, a Cúpula de Inovação e Sustentabilidade apresentou os três programas estruturantes que passam a compor, de forma permanente, a Federação: o Programa de Sociobioeconomia, o Programa de Apoio ao Combate ao Desmatamento e Queimadas Ilegais e o Programa de Economia Circular.
A Cúpula também marcou o lançamento do Guia de Práticas Sustentáveis para a Indústria da Amazônia, desenvolvido pela Jornada COP+ com foco em orientar pequenas e médias empresas sobre caminhos possíveis para a adoção de modelos produtivos sustentáveis. O material reúne orientações, conceitos e sugestões de boas práticas alinhadas às exigências ambientais e sociais contemporâneas, e está disponível no site da Jornada COP+.
Segundo Alex Carvalho, presidente da FIEPA e da Jornada COP+, o guia mostra como o contexto da Amazônia pode impulsionar um modelo de desenvolvimento baseado em baixo carbono, conservação e inovação. “Este guia traduz o ESG para a realidade amazônica, com sua biodiversidade única, seus desafios ambientais e suas oportunidades econômicas. Ele reúne ferramentas, programas de apoio, metodologias, certificações e mecanismos capazes de tornar nossas empresas mais competitivas, mais transparentes e mais resilientes”, explicou.
O Programa de Combate ao Desmatamento e Queimadas Ilegais inicia neste ano e segue até 2030. A iniciativa envolve indústrias e agroindústrias paraenses e está estruturada em três etapas: diagnóstico, para mapear ilegalidades e calcular as perdas econômicas geradas por práticas predatórias; engajamento, com a participação de empresas de setores diretamente ligados à produção, como carne, madeira e grãos; e ação direta, com a identificação de pontos críticos de desmatamento e queimadas e o envio dessas informações às autoridades competentes.
Francisco Victer, presidente do Conselho Temático de Assuntos Legislativos da FIEPA e líder da iniciativa, descreveu o programa como “um passo histórico do setor produtivo no enfrentamento ao desmatamento e às queimadas ilegais”. Segundo Victer, a iniciativa é o reconhecimento de que a indústria e a agroindústria estão comprometidas no combate às práticas ilegais. “Estamos assumindo o compromisso de identificar irregularidades, apoiar ações de controle e mostrar, com dados, que uma produção sustentável é não apenas possível, mas economicamente mais vantajosa. Ao combater o desmatamento, contribuímos diretamente para reduzir emissões, proteger a Amazônia e fortalecer a competitividade do próprio setor”, afirmou.
Desenvolvido em parceria com o Instituto Bem da Amazônia e o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA), o Programa de Sociobioeconomia pretende fortalecer políticas e negócios que valorizem a floresta em pé e os povos amazônicos. O programa contará com um Observatório da Bioeconomia, voltado ao monitoramento constante do setor, com uso de metodologia desenvolvida pelo professor Francisco de Assis Costa (NAEA/UFPA).
A iniciativa prevê o diagnóstico da produção industrial e dos empregos da bioeconomia, a realização de estudos aprofundados sobre os impactos econômicos, sociais e ambientais do setor, a criação de uma plataforma digital georreferenciada para mapear cadeias produtivas de valor e a elaboração de relatórios que orientem decisões estratégicas de gestores públicos e privados.
Já o Programa de Economia Circular pretende atuar junto ao poder público na formulação de políticas de logística reversa e gestão de resíduos sólidos. O programa inclui o mapeamento e a divulgação de boas práticas industriais, além de ações de capacitação e de apoio à implementação de soluções de circularidade. Também será criado um Grupo de Trabalho em parceria com o poder público, responsável por atuar diretamente na elaboração e regulamentação de normas que fortaleçam a economia circular no estado, especialmente no que diz respeito à logística reversa e ao tratamento de resíduos.
Segundo Deryck Martins, coordenador técnico da Jornada COP+, o programa foi estruturado para funcionar de forma integrada ao ecossistema já existente na Federação. “A ideia não é criar um ambiente paralelo, e sim fortalecer o que já temos, trabalhar com as demais casas do Sistema FIEPA e os parceiros estratégicos para acelerar a adoção de práticas circulares e construir um modelo sólido de governança”, disse.
Durante a COP30, a Jornada COP+ também realizou o Fórum de Excelência Industrial Sustentável. No Auditório Albano Franco, espaço na sede da federação totalmente reformado e que recebeu diversas programações paralelas à COP, o Fórum reconheceu iniciativas inovadoras e que geram impacto positivo na economia da Amazônia.
As iniciativas apresentadas foram selecionadas pelo Edital de Cases da Jornada COP+. Ao todo, 76 soluções foram inscritas no edital e foram selecionados os projetos com maior capacidade de inovar, gerar impactos reais na região e inspirar outras empresas.
São eles: “Água para Todos: segurança hídrica e resiliência climática na ilha do Combu” da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade; “Boiteca: Integração Pecuária-Floresta e Industrialização Sustentável da Teca na Amazônia” da TRC Agroflorestal LTDA; os projetos “Mega Hubs” e “Meta Florestal 2030” da Vale; “PRO Carbono” da Bayer; “Transformando resíduos em florestas” da Mineração Paragominas S.A.; “Biogás e Transição Energética na Amazônia” da Guamá Tratamento de Resíduo; “Bioeconomia: agricultura, inovação e sustentabilidade na cadeia produtiva do óleo de palma” da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma; e “Tecnologia Verde para Descarbonização de Veículos Automotores” da Amazon Rhiira.
Todas as soluções inscritas no edital estão disponíveis na publicação digital Vitrine de Cases da Indústria Sustentável, documento que reúne um resumo dos projetos, conferindo visibilidade às boas práticas. As soluções são apresentadas em formato que destaca como o projeto foi implementado e seu potencial de escalabilidade. O objetivo final é inspirar outras indústrias a replicarem e adotarem iniciativas mais sustentáveis. A publicação pode ser acessada no site da Jornada COP+.
No Fórum, a federação também detalhou as “Diretrizes para uma Indústria de Baixo Carbono”. O documento consiste em dez recomendações para uma nova agenda ambiental, social e econômica na Amazônia brasileira, formuladas pelos comitês da Jornada COP+.
As diretrizes envolvem temas como o uso sustentável da biomassa de resíduos, o fortalecimento da rastreabilidade das cadeias produtivas, a estruturação da economia circular no estado, a valorização da sociobioeconomia, o protagonismo de mulheres e povos tradicionais, a atração de investimentos verdes, a ampliação da infraestrutura regional, a inclusão digital e o fortalecimento da reputação da Amazônia.
O documento foi formulado de forma coletiva por 180 pessoas de 30 setores e está disponível na íntegra no site da Jornada COP+. “São mais de 200 páginas de ideias, propostas e caminhos que representam um embrião para uma nova agenda econômica, social e ambiental de descarbonização; agendas que precisam caminhar juntas e de forma racionalmente equilibrada. É um esforço caro, histórico e totalmente conectado com o Brasil e com o mundo que estamos construindo”, concluiu o presidente da FIEPA, Alex Carvalho.
O potencial da biomassa como caminho para uma transição energética justa e de baixo carbono foi o foco de painel promovido nesta quinta-feira, 14, no Pavilhão Pará, na Green Zone (Zona Verde), durante a COP30. A atividade integra a programação da Jornada COP+, movimento multissetorial liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), e reuniu especialistas e representantes do setor produtivo para discutir soluções sustentáveis para o desenvolvimento da Amazônia.
O painel abordou oportunidades e desafios para impulsionar a bioeconomia amazônica, ressaltou o papel da biomassa na geração de energia limpa, na valorização de recursos regionais e na promoção de uma transição energética inclusiva e sustentável. A conversa foi conduzida pelo gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, Felipe Freitas, que destacou como o Brasil é uma referência em matriz energética. “O Brasil é referência mundial, pela forma como a matriz energética é composta, com seus diversos componentes, como energia hidráulica, biomassa, energia solar ou elétrica”, explicou.
Durante o painel, Aldo Leite, consultor comercial de Combustíveis Alternativos da Verdera, marca que faz parte do grupo Votorantim Cimentos, explicou como a empresa concentra suas ações na compra de biomassa e outros materiais para substituir combustíveis fósseis na produção de cimento. “Hoje, carvão e coque de petróleo ainda fazem parte da matriz energética da Votorantim, mas temos uma meta de substituição progressiva desses combustíveis até 2030 e 2040”, afirmou.
Atualmente, a empresa utiliza caroço de açaí, cavaco de madeira, pó de serragem e briquetes. Leite afirmou que o mercado de resíduos mudou e que, no caso do açaí, empresas especializadas fazem a coleta, secagem e fornecimento do material à companhia. “Resíduo, hoje, para muitos, deixou de ser problema. Passou a ser produto com valor agregado”, destacou.
Outro ponto central do debate foi o papel dos mercados de carbono e da rastreabilidade como pilares para o avanço da bioeconomia. Leonardo Almeida, coordenador de projetos de carbono da Biofílica Ambipar, apresentou um panorama da atuação da empresa e da evolução do mercado de créditos ambientais. “A empresa atua com soluções baseadas na natureza, principalmente em mercado de carbono e regularização ambiental por meio de cotas e arrendamentos de reserva legal”, afirmou.
Segundo o coordenador, o objetivo da companhia é gerar impacto socioambiental positivo, destravando capital para conservação. “A gente sabe que não existe conservação sem valorização dos ativos ambientais. A ideia é contribuir para a agenda socioambiental por meio de mecanismos financeiros”, explicou.
Ao discutir o aproveitamento da biomassa e a aplicação de conceitos de construção verde na Amazônia, Marcos Martins, presidente do SINDIMÓVEIS, explicou como resíduos originados do processamento de madeira nativa, especialmente das espécies de lei exportadas, têm se tornado insumos fundamentais para o setor. “Os resíduos gerados pela base florestal, que muitos enxergam como descarte, para nós não são resíduo, mas matéria-prima para o desenvolvimento dos nossos produtos”, disse.
O sindicato, que reúne empresas de diversos municípios paraenses, tem buscado fortalecer iniciativas de inovação e reaproveitamento. “Implementamos projetos em parceria com prefeituras, trabalhando o reaproveitamento de resíduos com comunidades locais e investindo em design e inovação tecnológica para a criação de novos produtos”, concluiu.