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Geral – Observatório FIEPA https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net Tue, 10 Mar 2026 11:44:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 Mercado de trabalho do Pará fecha 2025 com saldo positivo, apesar de retração sazonal no fim do ano https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2026/02/04/mercado-de-trabalho-do-para-fecha-2025-com-saldo-positivo-apesar-de-retracao-sazonal-no-fim-do-ano/ Wed, 04 Feb 2026 13:45:54 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14457

Apesar das oscilações registradas no encerramento do ano, o mercado de trabalho formal, no recorte da indústria e construção civil paraense, terminou 2025 com saldo positivo na geração de empregos. No acumulado de janeiro a dezembro, os dois setores somaram 5.125 novas vagas com carteira assinada, mantendo o resultado positivo, ainda que em ritmo mais moderado que o observado em 2024.

O desempenho reflete uma trajetória de crescimento durante o ano. Os dados foram levantados pelo Observatório da Indústria do Pará, a partir de informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Ao longo de 2025, o mercado de trabalho apresentou desempenho mais favorável entre fevereiro e setembro, período em que houve estabilidade e crescimento moderado, com pico de 3.137 vagas em setembro. Até então, o saldo acumulado superava 15 mil postos de trabalho. No entanto, o desempenho geral do ano foi puxado pela queda nos meses de outubro (-912), novembro (-1.901) e, principalmente, dezembro (-7.793). Na comparação anual, o saldo final de 2025 ficou 54% abaixo de 2024, quando o Estado havia criado 11.147 vagas nos dois segmentos.

Retração na Construção Civil e Impactos Setoriais

De acordo com as análises do Observatório, a retração de dezembro foi puxada, sobretudo, pelo setor da Construção, que perdeu 6.557 empregos formais no mês. As maiores quedas ocorreram nas atividades de Construção de Rodovias e Ferrovias (-1.645) e Construção de Edifícios (-1.143), refletindo a conclusão de etapas de grandes obras no Estado. Entre as ocupações, destacaram-se as perdas de Servente de Obras (-1.249) e Pedreiro (-485).

Em contrapartida, alguns segmentos ligados à infraestrutura básica apresentaram desempenho positivo, como Água e Esgoto (+161) e Indústrias Extrativas (+154), além de funções técnicas como Operador de Estação de Tratamento de Água (+106).

Análise Territorial e Sazonalidade

No recorte territorial, a desmobilização concentrou-se nos principais polos econômicos. Belém liderou as perdas (-1.677), seguida por Parauapebas (-1.272) e Canaã dos Carajás (-942), municípios fortemente ligados à construção civil e a grandes projetos de infraestrutura. Ainda assim, alguns municípios registraram saldos positivos, como Bragança (+70), Curuçá (+25) e Tucuruí (+24).

O último trimestre do ano foi marcado por uma retração mais intensa, fenômeno associado à sazonalidade típica do período no Pará. Em dezembro, a construção e a indústria apresentaram saldo negativo de 7.793 postos de trabalho, resultado de 7.296 admissões contra 15.089 desligamentos. O volume de contratações caiu 31,05% em relação a novembro.

Segundo o gerente do Observatório da Indústria do Pará, Felipe Freitas, esse movimento não foge do padrão histórico. “Esse comportamento é esperado. A sazonalidade do fim do ano já é observada historicamente, com encerramento de contratos e conclusão de ciclos produtivos. Em 2025, esse efeito pode ter sido mais intenso, especialmente por causa da dinâmica das obras ligadas à COP30”, explica.

Perspectivas para o Estado

Para o Observatório, os dados mostram que a dinâmica do emprego no Pará está fortemente conectada aos ciclos da construção e de grandes obras. Embora a retração de dezembro tenha reduzido o ritmo do crescimento anual, o saldo positivo de 2025 demonstra que o Estado manteve a capacidade de geração de empregos ao longo do ano.

“O desafio está em ampliar a retenção de mão de obra e reduzir a volatilidade provocada pelo encerramento concentrado de contratos, especialmente nos grandes projetos”, avalia Felipe Freitas.

TEXTO: Emilly Melo / Comunicação FIEPA

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Exportações do Pará somam US$ 24,23 bilhões em 2025 e consolidam protagonismo do estado no comércio exterior https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2026/01/23/exportacoes-do-para-somam-us-2423-bilhoes-em-2025-e-consolidam-protagonismo-do-estado-no-comercio-exterior/ Fri, 23 Jan 2026 14:57:59 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14426

O desempenho da pauta exportadora paraense em 2025 confirmou uma das combinações mais robustas dos últimos anos, sustentada pela força histórica do setor mineral e pelo avanço expressivo dos produtos agroindustriais. No acumulado de janeiro a dezembro, as exportações do Pará totalizaram US$ 24,23 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 21,49 bilhões.

Com esse resultado, o Estado manteve a terceira posição no ranking nacional de saldo comercial e segue como líder absoluto da Região Norte. O setor mineral permaneceu como o principal pilar: a alumina calcinada alcançou US$ 1,89 bilhão, enquanto o minério de ferro somou US$ 11,64 bilhões, exercendo papel determinante na economia estadual.

Na agroindústria, o destaque foi a carne bovina, que alcançou US$ 1,22 bilhão em vendas externas, impulsionada pela demanda da China. A soja também se consolidou com US$ 1,61 bilhão em exportações. Já o setor madeireiro registrou crescimento de 10,88%, tendo os Estados Unidos como principal destino.

Outros pontos altos de 2025 incluíram a retomada das exportações de bovinos vivos (US$ 574 milhões) e a ascensão do milho. A Ásia continua sendo o maior parceiro comercial do Pará, absorvendo 61,67% das vendas externas, seguida pela União Europeia e América do Norte.

Apesar dos desafios globais e do “tarifaço” do governo Trump, o Pará preservou sua relevância. Um avanço estratégico foi a retirada da taxação sobre o açaí em novembro, abrindo portas para o mercado norte-americano. Contudo, dados da FIEPA alertam para a vulnerabilidade de municípios que dependem quase exclusivamente da cadeia do açaí, como Igarapé-Miri e Muaná.

“Mesmo em um cenário global marcado por instabilidade, o Pará manteve trajetória de crescimento, expandiu sua base comercial e reforçou sua relevância estratégica. A combinação entre o vigor do setor industrial e o fortalecimento do agronegócio consolidou 2025 como um ano de avanços estruturais”, declara Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEPA.
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Mercosul e União Europeia firmam acordo e ampliam oportunidades para as indústrias do Pará https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2026/01/23/mercosul-e-uniao-europeia-firmam-acordo-e-ampliam-oportunidades-para-as-industrias-do-para/ Fri, 23 Jan 2026 14:53:23 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14420

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avança como um dos mais relevantes movimentos recentes do comércio internacional. O tratado prevê a redução gradual de tarifas, a harmonização de regras e a facilitação do acesso de produtos dos dois blocos aos seus respectivos mercados, criando novas condições para exportações, investimentos e integração produtiva.

Para o Pará, que possui um perfil fortemente exportador, o acordo tende a produzir impactos significativos a médio e longo prazo. Em 2025, o Estado exportou cerca de US$ 4 bilhões para a União Europeia, crescimento de 10,84% em relação ao ano anterior, o que o coloca na quarta posição entre os estados brasileiros exportadores para o bloco, com 8,04% de participação nacional.

Conforme avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, a redução tarifária amplia a competitividade dos produtos paraenses no mercado europeu, especialmente nos segmentos de mineração, agronegócio e agroindústria, além de abrir espaço para bens com maior valor agregado. Minérios, soja e ferro-níquel estão entre os itens com maior potencial de ganho, mas a expectativa é que a pauta se torne mais diversificada ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo em que cria oportunidades, o acordo também traz desafios. A entrada de manufaturados europeus com menos impostos pode pressionar setores industriais menos competitivos no mercado interno. No entanto, Carvalho afirma que esse risco é mitigado pelo perfil atual da indústria paraense, ainda pouco exposta à concorrência direta com bens finais produzidos na Europa. Mais do que ameaça, o tratado pode funcionar como um indutor de modernização, desde que acompanhado por políticas de inovação, financiamento e qualificação produtiva.

“Um dos exemplos mais simbólicos desse novo cenário está na cadeia do cacau e do chocolate. O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e vem consolidando uma indústria local de chocolates finos. Com o acordo, produtos europeus tendem a chegar mais baratos ao mercado brasileiro, aumentando a competição. Por outro lado, abre-se a possibilidade de o chocolate paraense, com identidade amazônica, rastreabilidade e apelo socioambiental, acessar o mercado europeu com menos barreiras, especialmente em nichos premium”, destaca o presidente da FIEPA.

Outro ponto estratégico é a redução de tarifas para bens de capital, como máquinas e equipamentos. Em 2025, o Pará importou da União Europeia insumos industriais, produtos químicos e itens essenciais à mineração e à indústria de transformação. Com a queda de custos para aquisição de tecnologia europeia, a expectativa é de ganhos em eficiência, redução de custos de produção, modernização de processos e até melhorias ambientais em setores como mineração, metalurgia, alimentos, móveis e bioindústria.

“Além do minério, outros produtos da pauta paraense podem ganhar competitividade com a abertura do mercado europeu. Carne certificada; soja, que cresceu 28% nas exportações para a UE entre 2024 e 2025; e açaí podem se destacar entre os segmentos com maior potencial de expansão”, explica Carvalho.

Alex Carvalho reforça que o acordo Mercosul–União Europeia cria uma janela estratégica para que o Pará avance não apenas em volume exportado, mas principalmente em qualidade, valor agregado e inserção em cadeias globais de valor – desde que acompanhado de investimentos em setores primordiais, como a infraestrutura e logística.

O aproveitamento pleno deste cenário, porém, depende de articulação entre setor produtivo, poder público e instituições de apoio, para que a indústria paraense esteja preparada para competir, inovar e ocupar novos espaços no mercado internacional. O tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 718 milhões de consumidores e movimentando cerca de US$ 22 trilhões em trocas comerciais.

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Na COP30, painel da FIEPA destaca importância da biomassa para a transição energética na Amazônia https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/12/15/na-cop30-painel-da-fiepa-destaca-importancia-da-biomassa-para-a-transicao-energetica-na-amazonia/ Mon, 15 Dec 2025 16:39:56 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14403

O potencial da biomassa como caminho para uma transição energética justa e de baixo carbono foi o foco de painel promovido nesta quinta-feira, 14, no Pavilhão Pará, na Green Zone (Zona Verde), durante a COP30. A atividade integra a programação da Jornada COP+, movimento multissetorial liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), e reuniu especialistas e representantes do setor produtivo para discutir soluções sustentáveis para o desenvolvimento da Amazônia.

O painel abordou oportunidades e desafios para impulsionar a bioeconomia amazônica, ressaltou o papel da biomassa na geração de energia limpa, na valorização de recursos regionais e na promoção de uma transição energética inclusiva e sustentável. A conversa foi conduzida pelo gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, Felipe Freitas, que destacou como o Brasil é uma referência em matriz energética. “O Brasil é referência mundial, pela forma como a matriz energética é composta, com seus diversos componentes, como energia hidráulica, biomassa, energia solar ou elétrica”, explicou.

Durante o painel, Aldo Leite, consultor comercial de Combustíveis Alternativos da Verdera, marca que faz parte do grupo Votorantim Cimentos, explicou como a empresa concentra suas ações na compra de biomassa e outros materiais para substituir combustíveis fósseis na produção de cimento. “Hoje, carvão e coque de petróleo ainda fazem parte da matriz energética da Votorantim, mas temos uma meta de substituição progressiva desses combustíveis até 2030 e 2040”, afirmou.

Atualmente, a empresa utiliza caroço de açaí, cavaco de madeira, pó de serragem e briquetes. Leite afirmou que o mercado de resíduos mudou e que, no caso do açaí, empresas especializadas fazem a coleta, secagem e fornecimento do material à companhia. “Resíduo, hoje, para muitos, deixou de ser problema. Passou a ser produto com valor agregado”, destacou.

Outro ponto central do debate foi o papel dos mercados de carbono e da rastreabilidade como pilares para o avanço da bioeconomia. Leonardo Almeida, coordenador de projetos de carbono da Biofílica Ambipar, apresentou um panorama da atuação da empresa e da evolução do mercado de créditos ambientais. “A empresa atua com soluções baseadas na natureza, principalmente em mercado de carbono e regularização ambiental por meio de cotas e arrendamentos de reserva legal”, afirmou.

Segundo o coordenador, o objetivo da companhia é gerar impacto socioambiental positivo, destravando capital para conservação. “A gente sabe que não existe conservação sem valorização dos ativos ambientais. A ideia é contribuir para a agenda socioambiental por meio de mecanismos financeiros”, explicou.

Ao discutir o aproveitamento da biomassa e a aplicação de conceitos de construção verde na Amazônia, Marcos Martins, presidente do SINDIMÓVEIS, explicou como resíduos originados do processamento de madeira nativa, especialmente das espécies de lei exportadas, têm se tornado insumos fundamentais para o setor. “Os resíduos gerados pela base florestal, que muitos enxergam como descarte, para nós não são resíduo, mas matéria-prima para o desenvolvimento dos nossos produtos”, disse.

O sindicato, que reúne empresas de diversos municípios paraenses, tem buscado fortalecer iniciativas de inovação e reaproveitamento. “Implementamos projetos em parceria com prefeituras, trabalhando o reaproveitamento de resíduos com comunidades locais e investindo em design e inovação tecnológica para a criação de novos produtos”, concluiu.

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COP histórica fortalece transição para indústria de baixo carbono na Amazônia https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/12/15/cop-historica-fortalece-transicao-para-industria-de-baixo-carbono-na-amazonia/ Mon, 15 Dec 2025 14:55:20 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14384

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, terminou há uma semana em Belém com uma série de avanços que seguirão orientando debates e negociações pelos próximos meses

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, terminou há uma semana em Belém com uma série de avanços que seguirão orientando debates e negociações pelos próximos meses. Entre os resultados, está a aprovação do Pacote de Belém, composto por 29 documentos que tratam de temas como transição justa, financiamento da adaptação climática, comércio, gênero e tecnologia. Outros marcos foram a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, além do início das discussões sobre um Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis. A conferência também reafirmou o papel estratégico do setor produtivo na construção de um futuro sustentável e resiliente, deixando caminhos e novos desafios para o setor.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, o pós COP é de adaptação, transição e avanço.

“No momento em que o setor produtivo se coloca como aliado, isso se torna um compromisso social, pois a ganância cede lugar para projeto e planejamento”. Segundo o presidente, a indústria paraense já havia entendido seu papel, incorporando sustentabilidade às suas práticas e ações e protagonizando a transição justa, com a criação do movimento multissetorial Jornada COP+, liderado pela FIEPA.

“A jornada sela um esforço nosso, com responsabilidade e engajamento, para entregar de volta à sociedade – seja à comunidade industrial, seja à sociedade civil – estes compromissos para que, de fato, a gente possa gerar mais capacidades em financiamento climático, disseminar uma economia de baixo carbono e evidencia, por meio de dados, os verdadeiros potenciais de uma sociobioeconomia”, destacou.
Pacote de Belém acelera a ação climática

A aprovação unânime dos 29 documentos pelos 195 países presentes na capital paraense é vista como um marco no compromisso global de enfrentamento às mudanças climáticas. O presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da FIEPA, Deryck Martins, avalia o Pacote de Belém como um marco significativo no compromisso global contra as mudanças climáticas, que traz desafios e oportunidades para o setor produtivo. “Para a indústria, ele sinaliza a necessidade de transição para práticas mais sustentáveis, com foco em tecnologias de descarbonização, redução de emissões e cadeias produtivas rastreáveis”, afirmou. Os países incluíram no Pacote de Belém o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação às mudanças climáticas até 2035 e a ênfase na necessidade de os países desenvolvidos aumentarem o financiamento para nações em desenvolvimento. Para Martins, estes avanços são necessários para que o Brasil possa se posicionar como líder na economia de baixo carbono. “As metas climáticas precisam vir acompanhadas de incentivos econômicos e regulatórios que garantam competitividade ao setor produtivo”, destacou. O especialista também destaca a triplicação de financiamento para a adaptação às mudanças climáticas. “A gente está falando de 120 bilhões de dólares por ano e espera-se que chegue a um trilhão”, pontuou.

Outro grande resultado da COP30 é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, do inglês Tropical Forest Forever Facility), que cria uma forma inédita de pagamento para que países mantenham as florestas tropicais em pé. Segundo o governo brasileiro, investidores serão remunerados em taxas compatíveis com o mercado, enquanto contribuem para conservação florestal e redução de emissões. Ao menos 63 países já endossaram a ideia. O fundo já mobilizou, segundo a presidência da COP30, US$6,7 bilhões. Para Deryck Martins, o Fundo deve estimular iniciativas de conservação e rastreabilidade no setor produtivo. “Quem manteve suas florestas pode ser recompensado por isso, e a gente pretende discutir como isso se relaciona com a atividade industrial, com as concessões florestais e com o manejo florestal, por exemplo”, pontuou.

Metas climáticas e métricas globais ganham mais força

A COP terminou com a apresentação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) de 122 países. As NDC são as metas e os compromissos assumidos pelas partes para a redução de emissões de gases do efeito estufa e devem ser atualizadas a cada cinco anos. Além disso, a conferência também recebeu 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação. Os indicadores envolvem setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência; e integram questões transversais como finanças, tecnologia e capacitação. Para Deryck Martins, essas métricas globais representam um grande avanço. “A gente precisa ter metas para poder avaliar avanços e retrocessos de como os países podem se adaptar às mudanças climáticas e em que nível eles estão dentro desse grande esforço”, explica.

Mapa do caminho propõe transição energética realista

A COP30 também iniciou a discussão sobre o Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis, uma das prioridades do governo brasileiro, mas que não entrou na lista de consensos. Para Alex Carvalho, a iniciativa é estratégica. “Um movimento muito inteligente da liderança brasileira, porque quebra o discurso vazio de que com um passe de mágica o mundo pode abrir mão dos combustíveis fósseis, o que coloca o Brasil em fragilidade diante de uma oportunidade que tem de ser uma liderança de uma transição justa. Já que não é possível lidar com os combustíveis fósseis, então vamos fazer uma transição da melhor maneira possível”, afirmou.

Parcerias e bioeconomia guiam os passos pós COP

Deryck Martins aponta que os próximos passos envolvem investir em inovação, ampliar parcerias estratégicas e aprofundar o diálogo com governos. “Também é essencial valorizar o papel da Amazônia no desenvolvimento sustentável, explorando o potencial da bioeconomia e das soluções baseadas na natureza para atrair investimentos globais e impulsionar o desenvolvimento sustentável industrial”. Já Alex Carvalho destaca que, para o Brasil sair fortalecido no pós-COP, será necessário criar condições seguras e equilibradas para o setor produtivo. “O setor público tem muito dever de casa para fazer. Agora, se nós não tivermos um ambiente de negócios equilibrado e harmônico, o Brasil vai perder força. Porque quem paga a conta e faz as coisas acontecerem é o setor produtivo. É o setor privado que implementa a agenda de sustentabilidade e investe em descarbonização”, concluiu.

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Indústria paraense mantém ritmo de crescimento em 2025, apesar de retração pontual em julho https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/09/22/industria-paraense-mantem-ritmo-de-crescimento-em-2025-apesar-de-retracao-pontual-em-julho/ Mon, 22 Sep 2025 17:18:00 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14366

A indústria do Pará segue confirmando sua relevância no desenvolvimento econômico estadual. Dados do Observatório da Indústria da FIEPA revelam que, em 2025, o setor mantém resultados positivos tanto na produção quanto na geração de empregos, mesmo diante de oscilações pontuais registradas em julho.

No campo da produção, os números acumulados permanecem sólidos. Entre janeiro e julho de 2025, a indústria paraense cresceu 4,9%, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses o avanço foi de 6,9%. Segmentos estratégicos puxaram esse resultado, como a fabricação de produtos de madeira, que apresentou alta de 16,9% no ano e 18,1% nos últimos 12 meses; seguida da fabricação de bebidas, que avançou 12,9%; e a metalurgia, que registrou crescimento de 9,4% no acumulado do ano e expressivos 16% no acumulado dos últimos 12 meses. Já as indústrias extrativas, fundamentais para a economia estadual, também contribuíram com expansão de 4,6%.

Apesar desses números robustos, julho apresentou retração de 2,1% em relação a junho (com ajuste sazonal) e de 4,2% frente ao mesmo mês de 2024. Esse movimento acompanhou a desaceleração observada em outros polos industriais do país, como Minas Gerais (-2,4%) e Paraná (-2,7%), embora tenha contrastado com o desempenho positivo de estados como Espírito Santo (3,1%), Rio Grande do Sul (1,4%) e São Paulo (0,9%). O setor de fabricação de produtos de minerais não metálicos foi o único a registrar queda significativa no acumulado do ano (-7,3%), sinalizando a heterogeneidade da dinâmica industrial.

No mercado de trabalho, o cenário também demonstra resiliência. Em julho, a indústria criou 1.842 novas vagas com carteira assinada, elevando o saldo acumulado de 2025 para 10.651 postos de trabalho formais. O resultado decorreu de 13.831 admissões contra 11.989 desligamentos.

A geração de empregos foi liderada pela Região Metropolitana de Belém, com a capital criando 349 vagas. No interior, Tomé-Açu se destacou com 231 postos, alavancados pela cadeia do dendê, na qual a ocupação de Trabalhador na Cultura de Dendê somou 156 novas contratações. Municípios mineradores como Canaã dos Carajás (259 vagas) e Marabá (216 vagas) também figuraram entre os principais polos empregadores. Em contraste, Ourilândia do Norte registrou saldo negativo de 194 vagas.

O perfil das vagas criadas reflete a diversidade do setor, conforme apontam as análises do Observatório. Além do agronegócio industrial, que contratou fortemente trabalhadores para a cultura do dendê (272 novas vagas), outras atividades tiveram desempenho relevante. Já a área de Obras de Montagem Industrial apresentou retração de 411 postos, impactando ocupações como a de Montador de Andaimes (79).

Assim como na produção, os dados de julho mostram uma desaceleração no ritmo de expansão do emprego. O saldo do mês foi 35% inferior ao de junho, reflexo do crescimento mais acelerado dos desligamentos (+14,93%) em relação às admissões (+4,24%). Em comparação a julho de 2024, a redução foi de 15,58%.

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Pará lidera crescimento industrial no Brasil no primeiro quadrimestre de 2025 https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/06/13/para-lidera-crescimento-industrial-no-brasil-no-primeiro-quadrimestre-de-2025/ Fri, 13 Jun 2025 13:19:19 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14123

Estado registra o maior avanço industrial entre os estados, com alta de 10%

As indústrias do Pará registraram um crescimento de 10% no acumulado de janeiro a abril de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior e apresentaram o melhor resultado do país, conforme a última Pesquisa Industrial Mensal (PIM) regional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), nesta quarta-feira (11/06). De acordo com o Observatório da Indústria do Pará – uma iniciativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA), os números refletem o dinamismo do setor industrial local, que se consolida como um dos principais motores da economia paraense.

Neste indicador, o Pará destaca-se com o melhor desempenho industrial entre as unidades federativas, posicionando-se à frente de estados do Sul, como Santa Catarina e Paraná, que ficaram na segunda e terceira colocações com 6,4% e 5,3%, respectivamente.

Os resultados foram impulsionados, em grande parte, pelas atividades de indústrias extrativas no Pará (minérios de manganês, de cobre e de ferro – em bruto ou beneficiados). Contudo, destacaram-se também, neste período, as atividades de fabricação de produtos de madeira e de metalurgia, as quais, respectivamente, apresentaram crescimento de 16,3% e 13% em relação ao mesmo período acumulado de 2024.

“O desempenho da indústria paraense neste início de ano reforça o papel estratégico do setor produtivo no estado, com destaque para segmentos que agregam valor à nossa pauta econômica, como a metalurgia e a transformação de produtos de madeira. Os dados refletem não apenas a força das indústrias extrativas, mas também uma diversificação gradual da atividade industrial no Pará”, destaca Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria da FIEPA.

Crescimento
Na avaliação dos últimos 12 meses correntes, o avanço acumulado da indústria paraense foi de 9%. Neste contexto, o grande destaque vai para a metalurgia, a qual apresentou, nos últimos 12 meses, crescimento de 20,9%.

Comparando o mês de abril deste ano com abril de 2024, a indústria paraense apresentou um crescimento de 27,3%, com destaque para a indústria extrativa, que apresentou crescimento de 32,2% em relação a abril de 2024.

Após dois meses consecutivos de crescimento, a produção industrial do Pará registrou uma leve retração de -0,8% na análise entre março e abril de 2025. O desempenho interrompe uma sequência positiva observada em fevereiro e março, quando o setor havia avançado 2,4% e 4,6%, respectivamente. Nos demais Estados, as quedas mais expressivas foram no Ceará (-3,9%); Espírito Santo (-3,5%); Rio de Janeiro (-1,9%); São Paulo (-1,7%); Mato Grosso (-1,4%) e Amazonas (-1,3%).

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Produto da bioeconomia, a castanha é do Pará, mas precisa de investimentos  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/produto-da-bioeconomia-a-castanha-e-do-para-mas-precisa-de-investimentos/ Mon, 24 Mar 2025 12:49:13 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14061

A Jornada COP+ está rastreando as principais cadeias produtivas do Pará, dentro do Programa de Sociobioeconomia do projeto. O movimento coletivo pela transição justa na Amazônia Brasileira, liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), está criando plataforma digital que vai medir o valor da sociobioeconomia no estado. A plataforma servirá como um mapa das cadeias de produtores, associações, cooperativas e indústrias que compõem o ecossistema da sociobioeconomia do estado. Para divulgar estas iniciativas, criamos a série  “Bio Valor: os caminhos da socioboeconomia no Pará”, com reportagens mensais em que abordaremos histórias e informações dos principais produtos da sociobioeconomia. Veja nessa reportagem iniciativas, desafios e soluções para a produção da castanha-do-pará no estado.

Uma panela de pressão de 30 litros, um fogão industrial, máquinas manuais de segunda mão e um forno a lenha. Esse era todo o material que o produtor Zeno Gemaque tinha quando começou a fazer o beneficiamento da castanha-do-Pará na cidade de Acará, nordeste do estado, há treze anos.

Zeno nasceu e cresceu na zona rural do município, às margens do Rio Acará, a cerca de 100 km de Belém, e começou a trabalhar com a castanha seguindo os passos do pai, que tinha uma pequena produção de castanheiras, da qual extraía o ouriço e vendia in natura para feiras e indústrias da região. Porém Zeno percebeu que a família podia ganhar mais dinheiro com outra etapa desse processo: o beneficiamento da castanha. “Naquela época o quilo da castanha in natura estava a 2 reais e 50 centavos e um sachê com 100 gramas dela processada já estava por volta de 8 reais no supermercado”, conta.

Com um investimento de R$2500 e sem acesso a máquinas industriais, Zeno criou a fábrica improvisada para beneficiar a castanha. “O secador rotativo não tinha, então secava ao sol. Fazia o processo do autoclave na panela de pressão, descascava nas máquinas manuais e desidratava num fogão a lenha. Foi assim que eu comecei em 2012 e a experiência deu certo”, relata Zeno.

Três anos depois, conseguiu formalizar a empresa, fundando a Zeno Nativo. Em seguida, comprou máquinas e reformou a pequena fábrica para ficar em padrão semi industrial. Hoje a castanha processada por Zeno é vendida no Mercado Ver-o-peso, empórios e moinhos da região, e também para outros estados como São Paulo, Maranhão e Ceará. “A gente consegue vender toda nossa produção. É um mercado bom, é um produto que se você tiver um bom produto é fácil de vender e você consegue vender bem”, explica o produtor.

Para ele, o problema não está no mercado e sim na cadeia. Zeno compra a castanha in natura de áreas nativas e preservadas de várias regiões do Pará, só que a oferta está cada vez mais instável, principalmente com as mudanças do clima.  “Tem anos que dá uma safra boa, tem anos que dá ruim. Esse ano, por exemplo, a safra está muito escassa porque nos últimos tempos a estiagem tem sido muito alta e isso afeta diretamente na produção da castanha”, explica o produtor que também se mostra preocupado com o futuro da produção. “Ainda tem em abundância, mas no ritmo que estamos indo daqui a pouquinho não vai ter mais”, conclui.

Fortalecimento da cadeia precisa começar com o plantio, diz especialista

Planta originária da Amazônia, a castanheira (Bertholletia excelsa) é uma das maiores espécies do bioma, podendo atingir até 50 metros de altura. A árvore dá frutos conhecidos como ouriços. Semelhantes a um coco, eles podem pesar até 2kg e possuir de 8 a 24 sementes. Os ouriços são quebrados e as sementes separadas e beneficiadas para serem comercializadas. Rica em selênio e outros nutrientes, a castanha-do-pará é recomendada por nutricionistas e ajuda a compor outros produtos como óleos e leites vegetais.

Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a cadeia da castanha-do-pará no Brasil envolve mais de 60 mil famílias de povos e comunidades tradicionais, cerca de 100 organizações comunitárias, entre cooperativas, associações e agroindústrias, e aproximadamente 60 empresas de beneficiamento e comercialização nacionais. A demanda pelo produto no mercado global aumentou em 700% nos últimos 15 anos e essa produção movimenta de US$ 300 a US$ 400 milhões (R$ 1,5 a R$ 2,0 bilhões) por ano.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que em 2023, o Pará produziu 9.390 toneladas da semente, o que representa um valor superior a R$ 31 milhões em produção. O estado foi o terceiro maior produtor da castanha que leva seu nome, ficando atrás do Amazonas (11.291 toneladas) e do Acre (9.473 toneladas).

Pesquisas da Embrapa mostram que ao longo da história, os processos de ocupação e colonização da Amazônia, como aberturas de estrada, afetaram diretamente a plantação da castanha, fazendo com que o Pará deixasse de ser o principal produtor da semente. Só entre os anos de 1984 a 1997, 70% dos castanhais foram destruídos na região sudeste do Pará, segundo Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e um dos principais estudiosos sobre o assunto. Atualmente, são os municípios de Óbidos, Oriximiná e Alenquer, todos no oeste paraense, os maiores produtores.

Homma explica que o plantio de castanhas não tem sido priorizado porque a produção demora a dar retorno, visto que a castanheira leva de 15 a 20 anos para chegar à fase adulta e só após esse tempo é possível extrair o ouriço. Mas que já existem tecnologias, inclusive na própria Embrapa, para produção de mudas com qualidade e com retorno mais rápido. “É preciso incentivar e popularizar o plantio e ter paciência, entendendo que é algo que vai gerar resultados a longo prazo. Num momento em que se discute a bioeconomia, é preciso pensar nos produtos que têm poder de mercado como a castanha, o bacuri, e o pau-rosa que é muito procurado para cosméticos, como sabonetes e perfumes”, destaca.

Para Homma, a castanha-do-pará tem as mesmas condições de chegar ao nível da castanha do caju. “Hoje a participação da castanha-do-Pará no mercado das castanhas não chega a 1% e é dezessete vezes menor que a da castanha de caju, mas isso pode ser igualado, se houver incentivo.”

O pesquisador defende a existência de programa de plantação de castanheiras em áreas de reserva legal e de preservação permanente que precisam ser recuperadas. “A castanha tem um grande mercado, o mundo inteiro conhece e gosta da castanha-do-Pará. Mas a oferta extrativista já chegou ao seu limite. Temos um passivo ambiental muito grande. Essas áreas podem ser usadas para a plantação de castanheiras. É preciso também um programa que incentive a criação de viveiro de mudas que possam ser distribuídas gratuitamente ou vendidas a preço de custo”, destaca.

Com os desafios do mercado internacional, indústrias tradicionais se reinventam

A castanha-do-pará ganhou esse nome entre o século XVIII e XIX, batizada pelos visitantes da Amazônia. Além de ser produzida no estado, era dos portos paraenses que a castanha era exportada ainda in natura, principalmente a partir da década de 1920, como uma forma de substituir a cadeia da borracha.

Hoje, a produção da castanha-do-pará se concentra em três países da Amazônia: Bolívia, Brasil e Peru. Em 2023, o Brasil produziu 35.351 toneladas do produto, de acordo com o IBGE. O país é o segundo maior produtor mundial, ficando atrás da Bolívia, que também detém a maior parte do mercado internacional.

Empresas paraenses tradicionais no beneficiamento do produto tentam se reposicionar no mercado internacional. É o caso da Mutran Exportadora, empresa familiar com mais de 50 anos de história no setor. Assim como a trajetória de Zeno, na família Mutran a produção da castanha também foi repassada entre gerações. Começou com o plantio de castanhais em Marabá, no sudeste do Pará, depois passou para o beneficiamento com a aquisição de usina de processamento no bairro da Pratinha, em Belém.

Inicialmente o foco era apenas a exportação, mas a mudança no mercado internacional exigiu novas estratégias.  “A partir dos anos 1990/2000, a Bolívia passou a dominar o mercado internacional, tendo passado por um processo de modernização e mecanização do processamento duas décadas antes das empresas brasileiras. Isso fez com que perdêssemos a relevância no mercado internacional e passássemos a vender quase que a totalidade da nossa produção no mercado nacional brasileiro. Por sorte, esse período coincidiu com o aumento no consumo da castanha nacionalmente e com a sua utilização cada vez maior como ingrediente em produtos da indústria alimentícia”, conta Victória Mutran, diretora da exportadora. Hoje, a castanha beneficiada pela empresa vira insumo para pães, doces, barras de cereais, granolas, entre outros produtos.

Em 2024, a empresa processou mais de 5.000 toneladas de Castanha do Pará in natura, gerando mais de 1.500 toneladas de produto acabado. Quarenta por cento dessa produção foi exportada para países da América, da Europa e da Ásia. “Nossa presença nas exportações tem aumentado à medida que aumentamos a nossa produção anual. Ao longo dos anos, também tivemos grande aumento nas exigências de controle de qualidade e segurança de alimentos e a necessidade de obter certificações internacionais para abrir portas de grandes indústrias e mercados mais exigentes”, destaca Mutran.

A redução na disponibilidade de castanhas no sudeste do Pará também impactou a produção e a indústria precisou buscar outros fornecedores em outras regiões do estado e também no Amazonas, Roraima e Acre. Mas os desafios da cadeia ainda são muitos. “A castanha demanda grande esforço financeiro e logístico para sair das áreas de mata mais densas e chegar até Belém para só depois serem processadas e comercializadas para o Brasil e para o mundo”, afirma Victória.

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Debate sobre sustentabilidade e transição energética marca Dia Estadual da Mineração no Pará  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/debate-sobre-sustentabilidade-e-transicao-energetica-marca-dia-estadual-da-mineracao-no-para/ Mon, 24 Mar 2025 12:43:59 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14054

Na data celebrada no dia 14 de março, empresas, profissionais e instituições apresentaram e discutiram tendências e caminhos para a sustentabilidade no setor. Mineradoras de cobre, alumínio, ouro e minerais industriais, com atuação no Pará, compartilharam práticas de responsabilidade ambiental e discutiram como a mineração pode ser essencial para a transição energética.

Realizado pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), em parceria com Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), o Centro das Indústrias do Pará (CIP), o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram-PA), o evento teve o apoio da Jornada COP+, iniciativa da FIEPA que está construindo uma nova agenda econômica, social e ambiental do setor produtivo da Amazônia. Para Alex Carvalho, presidente da Fiepa e da Jornada, o debate sobre a sustentabilidade na mineração mostra o amadurecimento do setor mineral no Pará. “A mineração é um segmento muito importante e representativo para a economia, para a sociedade e para a preservação ambiental. E este é um momento para discutir o futuro e os caminhos a serem percorridos, por isso que a Jornada COP+ se faz presente. Até porque a COP vai passar, mas os bons exemplos de sustentabilidade serão perpetuados”, enfatizou.

O segmento é responsável por 4% do PIB brasileiro. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração mostram que o setor mineral no Brasil movimentou mais de 43 bilhões de dólares em exportações e gerou mais de 221 mil empregos diretos em 2024. De acordo com o IBRAM, o enfrentamento à emergência climática e a busca pelo cumprimento do Acordo de Paris passam também pela expansão da extração e do uso de bens minerais pois, segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda em insumos minerais para a transição energética, nos próximos vinte anos, pode ser até 6 vezes maior do que a produção atual.

Para o gerente executivo do IBRAM na Amazônia, Anderson Santos, o debate sobre a sustentabilidade na mineração é uma forma de aliar o desenvolvimento às necessidades das gerações atuais e futuras. “Ter as mineradoras apresentando as ações de sustentabilidade que estão sendo praticadas é também uma forma de ajudar a desenvolver outros estados e países. A gente sequer poderia levantar a possibilidade de deixar para as gerações futuras um mundo pior do que aquele que recebemos. Então, é nosso dever buscar formas de deixar não só condições melhores, mas deixar um legado”, ressaltou.

Titular da Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal, o deputado Keninston Braga (MDB), destacou que os caminhos para a sustentabilidade na mineração são desafiadores e precisam contar com o envolvimento de diversos setores e com a criação de novas políticas. “Precisamos modernizar o nosso código minerário e temos um projeto tramitando na Câmara. O mundo hoje clama por uma economia de baixo carbono, o mundo clama por uma transição energética cada vez mais abrangente e mais forte. Não existe transição energética sem minerais críticos, não existe economia de baixo carbono sem transição energética. E nós não podemos perder a oportunidade aqui no Pará, neste ano de COP30, de dizer para todo mundo que nós queremos ser o grande protagonista dessa transição”, afirmou.

O Pará se destaca no setor mineral, é o segundo estado com maior faturamento no segmento, além de líder na produção do ferro, bauxita e ouro. Para o Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Paulo Bengtson, ações de sustentabilidade no segmento têm sido cada vez mais necessárias. “O crescimento do setor traz para a sociedade um alerta para um novo tempo na mineração do Pará e do país. Nós estamos em um processo de mudanças climáticas sérias. Há anos atrás, ninguém estaria discutindo sustentabilidade, estaríamos debatendo sobre o preço da tonelada do ferro, do cobre, como aumentar as nossas exportações. E hoje, estamos discutindo como o setor mineral pode contribuir com o meio ambiente, pois é uma discussão urgente”, afirmou.

A Jornada COP+ foi idealizada pela Temple Comunicação e é realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), com apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), da Ação Pró-Amazônia, SESI, SENAI, IEL e Instituto Amazônia+21. O projeto tem como patrocinadora master a mineradora Vale.

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Comitiva da CNI visita espaços da COP em Belém  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/comitiva-da-cni-visita-espacos-da-cop-em-belem/ Mon, 24 Mar 2025 12:39:18 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14051 Representantes da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) visitaram, no dia 18 de março, os espaços que receberão a programação da Conferência das Nações Unidas sobre o clima, a COP 30, em novembro. A visita foi acompanhada por integrantes da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e da Jornada COP+.

A CNI estará presente na Conferência a partir da Sustainable Business COP 30, a SB COP, iniciativa que quer garantir o papel do setor privado nas negociações climáticas globais. O secretário-executivo da SB COP e superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bontempo, destacou a importância do projeto para uma nova agenda na indústria. “A SB COP é uma oportunidade dentro de todo esse ambiente de mostrar que a indústria, ela é parte da solução climática. Nas COPs podemos mostrar o que as empresas têm feito para a transição para uma economia de baixo carbono”, enfatizou.

Os propósitos da SB COP estão alinhados à Jornada COP+, movimento coletivo pela transição energética justa e desenvolvimento sustentável da Amazônia realizado pela FIEPA. Para o presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da Federação, Deryck Martins, todas as ações caminham para um objetivo comum: a participação qualificada da indústria frente à agenda climática global. “Tanto a Jornada COP+, quanto a SB COP têm esse marco da Conferência 30, mas continuam pra além dela. Principalmente com o objetivo de que a indústria alcance uma economia de baixo carbono, que a gente tenha uma indústria cada vez mais adequada às agendas climáticas, aos desafios globais que são colocados”, destacou.

O primeiro local visitado foi o Parque da Cidade. O espaço com mais de 552 mil m2 e que abrigava um antigo aeroclube está sendo construído para ser o principal palco da conferência. A obra que contém equipamentos como áreas esportivas, espaços de economia criativa, teatro, centros de gastronomia e ecoturismo terá soluções sustentáveis como sistema de reuso de água, energia solar e jardins filtrantes para o sistema de esgoto.

Responsável pela apresentação do espaço, a gerente de Meio ambiente e Relacionamento da Vale, Daniela Genu, destacou a importância de receber a comitiva. “Além de acompanharem todo o processo da obra, os visitantes trazem para a gente também um outro olhar, com outras ideias, outras propostas que quando é possível a gente inclui no projeto”, afirmou.

A equipe da Fiepa também apresentou para a comitiva da CNI as dependências do Teatro do Sesi, do Sesi Almirante Barroso e do Senai Getúlio Vargas. Os espaços devem receber programações da indústria durante a Cop 30. “Estamos muito felizes em poder contribuir com todas as ideias, com toda a inovação e tudo que a indústria vai trazer para que essa seja uma das melhores Cops”, destacou Elen Néris, gestora executiva da Jornada Cop+.

A Jornada COP+ tem o apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), da Ação Pró-Amazônia, SESI, SENAI, IEL e Instituto Amazônia+21. O projeto tem como patrocinadora master a mineradora Vale.

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