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Amazônia – Observatório FIEPA https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net Tue, 10 Mar 2026 11:48:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 COP histórica fortalece transição para indústria de baixo carbono na Amazônia https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/12/15/cop-historica-fortalece-transicao-para-industria-de-baixo-carbono-na-amazonia/ Mon, 15 Dec 2025 14:55:20 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14384

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, terminou há uma semana em Belém com uma série de avanços que seguirão orientando debates e negociações pelos próximos meses

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, terminou há uma semana em Belém com uma série de avanços que seguirão orientando debates e negociações pelos próximos meses. Entre os resultados, está a aprovação do Pacote de Belém, composto por 29 documentos que tratam de temas como transição justa, financiamento da adaptação climática, comércio, gênero e tecnologia. Outros marcos foram a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, além do início das discussões sobre um Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis. A conferência também reafirmou o papel estratégico do setor produtivo na construção de um futuro sustentável e resiliente, deixando caminhos e novos desafios para o setor.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, o pós COP é de adaptação, transição e avanço.

“No momento em que o setor produtivo se coloca como aliado, isso se torna um compromisso social, pois a ganância cede lugar para projeto e planejamento”. Segundo o presidente, a indústria paraense já havia entendido seu papel, incorporando sustentabilidade às suas práticas e ações e protagonizando a transição justa, com a criação do movimento multissetorial Jornada COP+, liderado pela FIEPA.

“A jornada sela um esforço nosso, com responsabilidade e engajamento, para entregar de volta à sociedade – seja à comunidade industrial, seja à sociedade civil – estes compromissos para que, de fato, a gente possa gerar mais capacidades em financiamento climático, disseminar uma economia de baixo carbono e evidencia, por meio de dados, os verdadeiros potenciais de uma sociobioeconomia”, destacou.
Pacote de Belém acelera a ação climática

A aprovação unânime dos 29 documentos pelos 195 países presentes na capital paraense é vista como um marco no compromisso global de enfrentamento às mudanças climáticas. O presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da FIEPA, Deryck Martins, avalia o Pacote de Belém como um marco significativo no compromisso global contra as mudanças climáticas, que traz desafios e oportunidades para o setor produtivo. “Para a indústria, ele sinaliza a necessidade de transição para práticas mais sustentáveis, com foco em tecnologias de descarbonização, redução de emissões e cadeias produtivas rastreáveis”, afirmou. Os países incluíram no Pacote de Belém o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação às mudanças climáticas até 2035 e a ênfase na necessidade de os países desenvolvidos aumentarem o financiamento para nações em desenvolvimento. Para Martins, estes avanços são necessários para que o Brasil possa se posicionar como líder na economia de baixo carbono. “As metas climáticas precisam vir acompanhadas de incentivos econômicos e regulatórios que garantam competitividade ao setor produtivo”, destacou. O especialista também destaca a triplicação de financiamento para a adaptação às mudanças climáticas. “A gente está falando de 120 bilhões de dólares por ano e espera-se que chegue a um trilhão”, pontuou.

Outro grande resultado da COP30 é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, do inglês Tropical Forest Forever Facility), que cria uma forma inédita de pagamento para que países mantenham as florestas tropicais em pé. Segundo o governo brasileiro, investidores serão remunerados em taxas compatíveis com o mercado, enquanto contribuem para conservação florestal e redução de emissões. Ao menos 63 países já endossaram a ideia. O fundo já mobilizou, segundo a presidência da COP30, US$6,7 bilhões. Para Deryck Martins, o Fundo deve estimular iniciativas de conservação e rastreabilidade no setor produtivo. “Quem manteve suas florestas pode ser recompensado por isso, e a gente pretende discutir como isso se relaciona com a atividade industrial, com as concessões florestais e com o manejo florestal, por exemplo”, pontuou.

Metas climáticas e métricas globais ganham mais força

A COP terminou com a apresentação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) de 122 países. As NDC são as metas e os compromissos assumidos pelas partes para a redução de emissões de gases do efeito estufa e devem ser atualizadas a cada cinco anos. Além disso, a conferência também recebeu 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação. Os indicadores envolvem setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência; e integram questões transversais como finanças, tecnologia e capacitação. Para Deryck Martins, essas métricas globais representam um grande avanço. “A gente precisa ter metas para poder avaliar avanços e retrocessos de como os países podem se adaptar às mudanças climáticas e em que nível eles estão dentro desse grande esforço”, explica.

Mapa do caminho propõe transição energética realista

A COP30 também iniciou a discussão sobre o Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis, uma das prioridades do governo brasileiro, mas que não entrou na lista de consensos. Para Alex Carvalho, a iniciativa é estratégica. “Um movimento muito inteligente da liderança brasileira, porque quebra o discurso vazio de que com um passe de mágica o mundo pode abrir mão dos combustíveis fósseis, o que coloca o Brasil em fragilidade diante de uma oportunidade que tem de ser uma liderança de uma transição justa. Já que não é possível lidar com os combustíveis fósseis, então vamos fazer uma transição da melhor maneira possível”, afirmou.

Parcerias e bioeconomia guiam os passos pós COP

Deryck Martins aponta que os próximos passos envolvem investir em inovação, ampliar parcerias estratégicas e aprofundar o diálogo com governos. “Também é essencial valorizar o papel da Amazônia no desenvolvimento sustentável, explorando o potencial da bioeconomia e das soluções baseadas na natureza para atrair investimentos globais e impulsionar o desenvolvimento sustentável industrial”. Já Alex Carvalho destaca que, para o Brasil sair fortalecido no pós-COP, será necessário criar condições seguras e equilibradas para o setor produtivo. “O setor público tem muito dever de casa para fazer. Agora, se nós não tivermos um ambiente de negócios equilibrado e harmônico, o Brasil vai perder força. Porque quem paga a conta e faz as coisas acontecerem é o setor produtivo. É o setor privado que implementa a agenda de sustentabilidade e investe em descarbonização”, concluiu.

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Setor industrial brasileiro lança ação empresarial pelo desenvolvimento sustentável  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/setor-industrial-brasileiro-lanca-acao-empresarial-pelo-desenvolvimento-sustentavel/ Mon, 24 Mar 2025 12:53:33 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14068

Uma nova agenda climática para a indústria e que esteja comprometida com a transição para uma economia de baixo carbono. É o que propõe a Sustainable Business COP30 (SB COP) lançada, no dia 10/03, em Brasília. Promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a iniciativa quer construir um grupo de representatividade internacional nos moldes do que já existe no âmbito do G20 e do Brics. Com isso, a ideia é garantir um papel estruturado e influente do setor privado nas negociações climáticas globais, além de levar recomendações do setor à Conferência pelo Clima das Nações Unidas, a COP 30, que será realizada em novembro, em Belém.

O lançamento da Sustainable Business ocorre em consonância com o chamado do presidente da COP 30, o embaixador André Corrêa do Lago, por um mutirão urgente contra as mudanças climáticas. Divulgada nesta segunda-feira, 10, a primeira carta do presidente da conferência destaca a necessidade de cooperação internacional para acelerar a adaptação climática, além de soluções urgentes que façam deste momento uma virada de chave em todos os setores. Corrêa do Lago também participou do lançamento da SB COP nesta segunda-feira, e destacou a importância do setor produtivo para este mutirão. “O setor privado, além de ser o retrato de um país, é no fundo, quem vai executar a maior parte das decisões que aqueles governos estão tomando. Nós precisamos do setor privado na Cop 30 mais do que em outras Cops. Será também uma oportunidade do Brasil mostrar seu setor produtivo para o mundo. Nós temos muitos casos e exemplos de sucesso”, afirmou o presidente.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e da Jornada COP +, Alex Carvalho, integra a equipe de engajamento da iniciativa, que pretende mobilizar lideranças de empresas, associações, sindicatos, federações e confederações, nacionais e internacionais em prol do desenvolvimento sustentável. “Com a SB COP, além de mobilizar empresas e investidores para ações climáticas concretas, também iremos estabelecer uma ferramenta permanente de engajamento empresarial que esteja comprometida com a criação de um futuro sustentável no setor”, destacou Alex.

A SB COP terá seis eixos com grupos temáticos: transição energética, economia circular e materiais, bioeconomia, transição justa, financiamento climático e segurança alimentar. Estes eixos estão inseridos em três metas: elaborar recomendações aos líderes governamentais para as negociações da COP30; formalizar compromissos do setor privado para reduzir as emissões de gases do efeito-estufa; e desenvolver iniciativas voltadas à ação para avançar em uma agenda climática positiva.

A Confederação Nacional das Indústrias participa há mais de uma década das Conferências do Clima. A iniciativa de criar um grupo empresarial para liderar o setor privado ganhou força após a participação na COP29, sediada em Baku, no Azerbaijão. A inspiração para a SB COP veio do B20, fórum de representação do setor privado dos países que compõem o G20, presidido pelo Brasil em 2024. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a criação deste espaço é necessária, pois o enfrentamento das mudanças climáticas só terá efeito com a participação do setor produtivo. “O setor privado é um catalisador e o nosso objetivo é de complementaridade, somando e garantindo entregas. A nossa entrega é a percepção de um Brasil diferente do que existe e a certeza de que o setor empresarial brasileiro tem excelentes cases, excelentes projetos”, destacou Alban.

O lançamento também contou com a presença virtual do governador do Pará, Helder Barbalho, que destacou a importância do protagonismo do setor produtivo do Pará para a adaptação climática. “O olhar transversal se faz necessário para que nós possamos fazer com que essa COP em Belém, na Amazônia e no Brasil possa deixar legados ambientais e um novo paradigma para as relações multissetoriais, para que nós possamos apresentar cases de sucesso de um estado que fez a escolha da transição para um modelo que preserve a floresta e isso só é possível a partir do envolvimento da iniciativa privada. Preservar produzindo e produzir preservando deve ser o conceito para balizar todos nós nessa jornada”, enfatizou o governador.

A conclusão dos trabalhos da SB COP resultará em uma agenda de recomendações que será apresentada pelo setor produtivo à Presidência da COP e ao governo, com a perspectiva de garantir o compromisso do setor privado com as metas para redução das emissões de gases do efeito estufa. Segundo o presidente da Fiepa, a proposta é que a Sustainable Business não se limite à COP 30. “Será um espaço oficial para participação empresarial que começa nesta COP, mas que irá se estender para as edições futuras. Construiremos parcerias estratégicas e que realmente tenham impacto na discussão mundial sobre o clima”, conclui Alex Carvalho.

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Produto da bioeconomia, a castanha é do Pará, mas precisa de investimentos  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/produto-da-bioeconomia-a-castanha-e-do-para-mas-precisa-de-investimentos/ Mon, 24 Mar 2025 12:49:13 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14061

A Jornada COP+ está rastreando as principais cadeias produtivas do Pará, dentro do Programa de Sociobioeconomia do projeto. O movimento coletivo pela transição justa na Amazônia Brasileira, liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), está criando plataforma digital que vai medir o valor da sociobioeconomia no estado. A plataforma servirá como um mapa das cadeias de produtores, associações, cooperativas e indústrias que compõem o ecossistema da sociobioeconomia do estado. Para divulgar estas iniciativas, criamos a série  “Bio Valor: os caminhos da socioboeconomia no Pará”, com reportagens mensais em que abordaremos histórias e informações dos principais produtos da sociobioeconomia. Veja nessa reportagem iniciativas, desafios e soluções para a produção da castanha-do-pará no estado.

Uma panela de pressão de 30 litros, um fogão industrial, máquinas manuais de segunda mão e um forno a lenha. Esse era todo o material que o produtor Zeno Gemaque tinha quando começou a fazer o beneficiamento da castanha-do-Pará na cidade de Acará, nordeste do estado, há treze anos.

Zeno nasceu e cresceu na zona rural do município, às margens do Rio Acará, a cerca de 100 km de Belém, e começou a trabalhar com a castanha seguindo os passos do pai, que tinha uma pequena produção de castanheiras, da qual extraía o ouriço e vendia in natura para feiras e indústrias da região. Porém Zeno percebeu que a família podia ganhar mais dinheiro com outra etapa desse processo: o beneficiamento da castanha. “Naquela época o quilo da castanha in natura estava a 2 reais e 50 centavos e um sachê com 100 gramas dela processada já estava por volta de 8 reais no supermercado”, conta.

Com um investimento de R$2500 e sem acesso a máquinas industriais, Zeno criou a fábrica improvisada para beneficiar a castanha. “O secador rotativo não tinha, então secava ao sol. Fazia o processo do autoclave na panela de pressão, descascava nas máquinas manuais e desidratava num fogão a lenha. Foi assim que eu comecei em 2012 e a experiência deu certo”, relata Zeno.

Três anos depois, conseguiu formalizar a empresa, fundando a Zeno Nativo. Em seguida, comprou máquinas e reformou a pequena fábrica para ficar em padrão semi industrial. Hoje a castanha processada por Zeno é vendida no Mercado Ver-o-peso, empórios e moinhos da região, e também para outros estados como São Paulo, Maranhão e Ceará. “A gente consegue vender toda nossa produção. É um mercado bom, é um produto que se você tiver um bom produto é fácil de vender e você consegue vender bem”, explica o produtor.

Para ele, o problema não está no mercado e sim na cadeia. Zeno compra a castanha in natura de áreas nativas e preservadas de várias regiões do Pará, só que a oferta está cada vez mais instável, principalmente com as mudanças do clima.  “Tem anos que dá uma safra boa, tem anos que dá ruim. Esse ano, por exemplo, a safra está muito escassa porque nos últimos tempos a estiagem tem sido muito alta e isso afeta diretamente na produção da castanha”, explica o produtor que também se mostra preocupado com o futuro da produção. “Ainda tem em abundância, mas no ritmo que estamos indo daqui a pouquinho não vai ter mais”, conclui.

Fortalecimento da cadeia precisa começar com o plantio, diz especialista

Planta originária da Amazônia, a castanheira (Bertholletia excelsa) é uma das maiores espécies do bioma, podendo atingir até 50 metros de altura. A árvore dá frutos conhecidos como ouriços. Semelhantes a um coco, eles podem pesar até 2kg e possuir de 8 a 24 sementes. Os ouriços são quebrados e as sementes separadas e beneficiadas para serem comercializadas. Rica em selênio e outros nutrientes, a castanha-do-pará é recomendada por nutricionistas e ajuda a compor outros produtos como óleos e leites vegetais.

Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a cadeia da castanha-do-pará no Brasil envolve mais de 60 mil famílias de povos e comunidades tradicionais, cerca de 100 organizações comunitárias, entre cooperativas, associações e agroindústrias, e aproximadamente 60 empresas de beneficiamento e comercialização nacionais. A demanda pelo produto no mercado global aumentou em 700% nos últimos 15 anos e essa produção movimenta de US$ 300 a US$ 400 milhões (R$ 1,5 a R$ 2,0 bilhões) por ano.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que em 2023, o Pará produziu 9.390 toneladas da semente, o que representa um valor superior a R$ 31 milhões em produção. O estado foi o terceiro maior produtor da castanha que leva seu nome, ficando atrás do Amazonas (11.291 toneladas) e do Acre (9.473 toneladas).

Pesquisas da Embrapa mostram que ao longo da história, os processos de ocupação e colonização da Amazônia, como aberturas de estrada, afetaram diretamente a plantação da castanha, fazendo com que o Pará deixasse de ser o principal produtor da semente. Só entre os anos de 1984 a 1997, 70% dos castanhais foram destruídos na região sudeste do Pará, segundo Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e um dos principais estudiosos sobre o assunto. Atualmente, são os municípios de Óbidos, Oriximiná e Alenquer, todos no oeste paraense, os maiores produtores.

Homma explica que o plantio de castanhas não tem sido priorizado porque a produção demora a dar retorno, visto que a castanheira leva de 15 a 20 anos para chegar à fase adulta e só após esse tempo é possível extrair o ouriço. Mas que já existem tecnologias, inclusive na própria Embrapa, para produção de mudas com qualidade e com retorno mais rápido. “É preciso incentivar e popularizar o plantio e ter paciência, entendendo que é algo que vai gerar resultados a longo prazo. Num momento em que se discute a bioeconomia, é preciso pensar nos produtos que têm poder de mercado como a castanha, o bacuri, e o pau-rosa que é muito procurado para cosméticos, como sabonetes e perfumes”, destaca.

Para Homma, a castanha-do-pará tem as mesmas condições de chegar ao nível da castanha do caju. “Hoje a participação da castanha-do-Pará no mercado das castanhas não chega a 1% e é dezessete vezes menor que a da castanha de caju, mas isso pode ser igualado, se houver incentivo.”

O pesquisador defende a existência de programa de plantação de castanheiras em áreas de reserva legal e de preservação permanente que precisam ser recuperadas. “A castanha tem um grande mercado, o mundo inteiro conhece e gosta da castanha-do-Pará. Mas a oferta extrativista já chegou ao seu limite. Temos um passivo ambiental muito grande. Essas áreas podem ser usadas para a plantação de castanheiras. É preciso também um programa que incentive a criação de viveiro de mudas que possam ser distribuídas gratuitamente ou vendidas a preço de custo”, destaca.

Com os desafios do mercado internacional, indústrias tradicionais se reinventam

A castanha-do-pará ganhou esse nome entre o século XVIII e XIX, batizada pelos visitantes da Amazônia. Além de ser produzida no estado, era dos portos paraenses que a castanha era exportada ainda in natura, principalmente a partir da década de 1920, como uma forma de substituir a cadeia da borracha.

Hoje, a produção da castanha-do-pará se concentra em três países da Amazônia: Bolívia, Brasil e Peru. Em 2023, o Brasil produziu 35.351 toneladas do produto, de acordo com o IBGE. O país é o segundo maior produtor mundial, ficando atrás da Bolívia, que também detém a maior parte do mercado internacional.

Empresas paraenses tradicionais no beneficiamento do produto tentam se reposicionar no mercado internacional. É o caso da Mutran Exportadora, empresa familiar com mais de 50 anos de história no setor. Assim como a trajetória de Zeno, na família Mutran a produção da castanha também foi repassada entre gerações. Começou com o plantio de castanhais em Marabá, no sudeste do Pará, depois passou para o beneficiamento com a aquisição de usina de processamento no bairro da Pratinha, em Belém.

Inicialmente o foco era apenas a exportação, mas a mudança no mercado internacional exigiu novas estratégias.  “A partir dos anos 1990/2000, a Bolívia passou a dominar o mercado internacional, tendo passado por um processo de modernização e mecanização do processamento duas décadas antes das empresas brasileiras. Isso fez com que perdêssemos a relevância no mercado internacional e passássemos a vender quase que a totalidade da nossa produção no mercado nacional brasileiro. Por sorte, esse período coincidiu com o aumento no consumo da castanha nacionalmente e com a sua utilização cada vez maior como ingrediente em produtos da indústria alimentícia”, conta Victória Mutran, diretora da exportadora. Hoje, a castanha beneficiada pela empresa vira insumo para pães, doces, barras de cereais, granolas, entre outros produtos.

Em 2024, a empresa processou mais de 5.000 toneladas de Castanha do Pará in natura, gerando mais de 1.500 toneladas de produto acabado. Quarenta por cento dessa produção foi exportada para países da América, da Europa e da Ásia. “Nossa presença nas exportações tem aumentado à medida que aumentamos a nossa produção anual. Ao longo dos anos, também tivemos grande aumento nas exigências de controle de qualidade e segurança de alimentos e a necessidade de obter certificações internacionais para abrir portas de grandes indústrias e mercados mais exigentes”, destaca Mutran.

A redução na disponibilidade de castanhas no sudeste do Pará também impactou a produção e a indústria precisou buscar outros fornecedores em outras regiões do estado e também no Amazonas, Roraima e Acre. Mas os desafios da cadeia ainda são muitos. “A castanha demanda grande esforço financeiro e logístico para sair das áreas de mata mais densas e chegar até Belém para só depois serem processadas e comercializadas para o Brasil e para o mundo”, afirma Victória.

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Comitiva da CNI visita espaços da COP em Belém  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/comitiva-da-cni-visita-espacos-da-cop-em-belem/ Mon, 24 Mar 2025 12:39:18 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14051 Representantes da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) visitaram, no dia 18 de março, os espaços que receberão a programação da Conferência das Nações Unidas sobre o clima, a COP 30, em novembro. A visita foi acompanhada por integrantes da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e da Jornada COP+.

A CNI estará presente na Conferência a partir da Sustainable Business COP 30, a SB COP, iniciativa que quer garantir o papel do setor privado nas negociações climáticas globais. O secretário-executivo da SB COP e superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bontempo, destacou a importância do projeto para uma nova agenda na indústria. “A SB COP é uma oportunidade dentro de todo esse ambiente de mostrar que a indústria, ela é parte da solução climática. Nas COPs podemos mostrar o que as empresas têm feito para a transição para uma economia de baixo carbono”, enfatizou.

Os propósitos da SB COP estão alinhados à Jornada COP+, movimento coletivo pela transição energética justa e desenvolvimento sustentável da Amazônia realizado pela FIEPA. Para o presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da Federação, Deryck Martins, todas as ações caminham para um objetivo comum: a participação qualificada da indústria frente à agenda climática global. “Tanto a Jornada COP+, quanto a SB COP têm esse marco da Conferência 30, mas continuam pra além dela. Principalmente com o objetivo de que a indústria alcance uma economia de baixo carbono, que a gente tenha uma indústria cada vez mais adequada às agendas climáticas, aos desafios globais que são colocados”, destacou.

O primeiro local visitado foi o Parque da Cidade. O espaço com mais de 552 mil m2 e que abrigava um antigo aeroclube está sendo construído para ser o principal palco da conferência. A obra que contém equipamentos como áreas esportivas, espaços de economia criativa, teatro, centros de gastronomia e ecoturismo terá soluções sustentáveis como sistema de reuso de água, energia solar e jardins filtrantes para o sistema de esgoto.

Responsável pela apresentação do espaço, a gerente de Meio ambiente e Relacionamento da Vale, Daniela Genu, destacou a importância de receber a comitiva. “Além de acompanharem todo o processo da obra, os visitantes trazem para a gente também um outro olhar, com outras ideias, outras propostas que quando é possível a gente inclui no projeto”, afirmou.

A equipe da Fiepa também apresentou para a comitiva da CNI as dependências do Teatro do Sesi, do Sesi Almirante Barroso e do Senai Getúlio Vargas. Os espaços devem receber programações da indústria durante a Cop 30. “Estamos muito felizes em poder contribuir com todas as ideias, com toda a inovação e tudo que a indústria vai trazer para que essa seja uma das melhores Cops”, destacou Elen Néris, gestora executiva da Jornada Cop+.

A Jornada COP+ tem o apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), da Ação Pró-Amazônia, SESI, SENAI, IEL e Instituto Amazônia+21. O projeto tem como patrocinadora master a mineradora Vale.

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Bioeconomia e sociobioeconomia: desafios e oportunidades para sustentabilidade na Amazônia  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/bioeconomia-e-sociobioeconomia-desafios-e-oportunidades-para-sustentabilidade-na-amazonia/ Mon, 24 Mar 2025 12:29:56 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14043

Em carta divulgada nesta semana, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, destacou o papel das florestas para a ação climática. No documento, o presidente falou da importância de reverter o desmatamento, recuperar o que foi perdido e trazer ecossistemas de volta à vida. Estes, mais saudáveis, “podem oferecer oportunidades para resiliência e bioeconomia, promovendo meios de subsistência locais, criando cadeias de valor sofisticadas e gerando inovações em biotecnologia”, diz a carta.

A mobilização da Indústria: sustentabilidade e biodiversidade nos negócios

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 2024, aponta que seis em cada dez empresas adotam práticas relacionadas à biodiversidade nos negócios (58%), como tecnologias, certificações e uso sustentável de recursos.

O Pará e a bioeconomia: da criação de Plano Estadual à proposição de uma Zona Franca

O Governo do Estado criou a Política Estadual de Mudanças Climáticas, o Plano Amazônia Agora, que tem como propósito mudar a relação de uso da floresta, reduzir o desmatamento e tornar o Pará um estado carbono neutro até 2036.

Pequenos e médios negócios precisam ser protagonistas

Empresas de pequeno e médio porte também estão articuladas. Para fortalecer o setor, promover inovação, capacitação e articulação estratégica foi criada, em 2023, a Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia, a AssoBIO, que hoje já conta com 75 associados.

A Jornada COP+ foi idealizada pela Temple Comunicação e é realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), com apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), da Ação Pró-Amazônia, SESI, SENAI, IEL e Instituto Amazônia+21. O projeto tem como patrocinador master a mineradora Vale.

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MRN avança na transição para matriz energética renovável  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/12/23/mrn-avanca-na-transicao-para-matriz-energetica-renovavel/ Mon, 23 Dec 2024 12:02:29 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14011

Comprometida com práticas de mineração sustentável na Amazônia, a Mineração Rio do Norte (MRN) obteve, nesta semana, a Licença de Instalação (LI) para o Projeto Linha de Transmissão que vai integrar a empresa ao Sistema Interligado Nacional. Com a adesão à matriz elétrica de fontes mais sustentáveis, a MRN espera reduzir a emissão de gases do efeito estufa em cerca de 90% na geração de energia, o que representa aproximadamente 20% na redução na pegada de carbono da companhia, já a partir de 2027, garantindo uma operação mais eficiente e sustentável. A fase de implantação do projeto, deve gerar aproximadamente 500 novos postos de trabalho temporários durante as obras.

O projeto, com extensão de 98 km, parte da subestação em Oriximiná até a futura subestação Saracá, dentro do site da MRN, no distrito de Porto Trombetas. O diretor de Implantação da MRN, Leonardo Paiva, explica que a iniciativa é o principal projeto de transição energética da empresa, alinhada ao planejamento de longo prazo e ao compromisso com a sustentabilidade ambiental. “A mudança de matriz elétrica através representa um movimento estratégico para a MRN e um legado para a região. Estamos oficialmente aderindo às metas globais ao reduzir a pegada de carbono e promovendo o desenvolvimento sustentável local”, afirma o executivo.

Operacionalização do projeto

O desenvolvimento da nova matriz elétrica da MRN atende as demandas futuras do Programa Zona Oeste. Na prática, o sistema de transmissão em 230 kV vai conectar as instalações industriais da empresa em Porto Trombetas, no município de Oriximiná à rede básica do SIN, por um circuito simples, com extensão aproximada de 98 km. O traçado possui 34 vértices, contemplando 218 torres metálicas, tendo em vista benefícios técnicos, econômicos e socioambientais. O estudo do projeto foi realizado em duas partes, considerando o trecho normal e o trecho da travessia do rio Trombetas, em função das particularidades de cada um.

Continuidade operacional

A Linha de Transmissão é parte da estratégia de continuidade operacional da MRN na região. Hoje com licença prévia emitida pelo IBAMA, o Projeto Novas Minas permitirá à MRN investir aproximadamente R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos, agregando mais sustentabilidade à cadeia do alumínio, utilizado em grande escala para segmentos essenciais como energia, transportes, construção civil, embalagens, dentre outros. O empreendimento será essencial para que a empresa possa dar continuidade à sua operação no Oeste do Pará, mantendo uma produção média de 12,5 milhões de toneladas anuais de bauxita.

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“Vitrine da Indústria na Amazônia” destaca a produção de negócios do setor industrial do Pará https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/10/15/vitrine-da-industria-na-amazonia-destaca-a-producao-de-negocios-do-setor-industrial-do-para/ Tue, 15 Oct 2024 19:41:59 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=13860

Para destacar o melhor da produção industrial regional, conectando inovação, sustentabilidade e desenvolvimento, o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA) inaugurou, no dia 12/09, a “Vitrine da Indústria na Amazônia”, espaço de exposição localizado na sede da entidade, em Belém. Nesta primeira edição, ficarão expostos produtos do setor de cosméticos e fitoterápicos paraenses, de empresas que compõem o projeto Amazônia na Pele, mantido pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos, Petroquímicos, Farmacêuticos e de Perfumaria (Sinquifarma).

A exposição reúne um mix de produtos, como sabonetes, xampus, hidratantes, óleos corporais, óleos naturais, fitoterápicos, esfoliantes e cremes, fabricados a partir de diversas matérias primas da floresta. “É um espaço para que a sociedade possa conhecer o que nós temos produzido aqui no Estado. Com o apoio da FIEPA, nós conseguimos consolidar esse grupo de 15 empresas sindicalizadas, dentro do projeto Amazônia na Pele. É muito bom poder apresentar o potencial dessas empresas da Amazônia, com insumos daqui, gerando renda e verticalizando a produção. Aqui tem empresa com mais de 100 anos, assim como tem outras novas indústrias, startups, com ideias e experiências inovadoras”, explica Fatima Chamma, diretora da FIEPA e vice-presidente do Sinquifarma.

O presidente da FIEPA, Alex Carvalho, afirma que o espaço faz parte das diversas iniciativas da entidade, preparatórias para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), e deve permanecer após o evento global, como forma de divulgação e valorização do trabalho executado pelo Sistema Indústria, pelos sindicatos e pelas empresas dos diversos segmentos industriais. “Este espaço nasce verdadeiramente como uma vitrine daquilo que nós temos de melhor da indústria no território amazônico, no território do nosso estado, com as nossas potencialidades, com preservação e sustentabilidade ambiental, inclusão social e desenvolvimento de uma cadeia de valor que internalize riquezas e traga, não só a geração de empregos, mas a qualificação desses empregos e a verticalização dessa produção”, afirmou o presidente da Federação.

“Esse projeto é fundamental porque a gente tem que mostrar o que a gente tem de bom, porque como eu falo, as pessoas todas querem usufruir da Amazônia, mas não devolvem. A gente devolve, a gente beneficia, a gente gera a mão de obra, e os nossos produtos são 100% Amazônia. A gente une forças para levar a experiência verdadeiramente amazônica para o mundo”, comemorou a empresária Tatiana Sinimbú, da empresa Jambú Sinimbú, expositora que participa do projeto.

O presidente do Sinquifarma, Nilson Azevedo, reforçou a importância de um trabalho conjunto entre as instituições e as empresas. “Nós temos um mercado excelente que tem feito várias incursões para outros países, mas ainda temos muitos desafios aqui na região, com altos custos para as empresas que querem empreender, vender seus produtos, então acredito que a saída é sempre nos unirmos para buscar soluções para vencer os desafios e fortalecer as nossas indústrias”, afirmou Azevedo.

De acordo com dados do Centro Internacional de Negócios da FIEPA, no primeiro semestre de 2024, o Pará exportou US$ 1.265.577 milhões e 676,64 toneladas de produtos higiene pessoal, cosméticos e perfumaria. Os principais produtos foram sabões, óleos, bálsamos naturais e papel higiênico, que tiveram como principais destinos países como o Paraguai, Venezuela, Estados Unidos, Alemanha, Polônia, Reino Unido, México, França, China e Países Baixos (Holanda), respectivamente.

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Rumo à COP30: FIEPA defende desenvolvimento sustentável e inclusão social em reunião da “Pré-COP29″ https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/10/15/rumo-a-cop30-fiepa-defende-desenvolvimento-sustentavel-e-inclusao-social-em-reuniao-da-pre-cop29/ Tue, 15 Oct 2024 19:38:31 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=13853 Evento ocorreu em São Paulo para tratar dos preparativos do Brasil para a Conferência do Clima, em Baku, em novembro

Como porta-voz do setor produtivo industrial paraense, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) participou ativamente do encontro “Pré-COP29: O Papel da Indústria na Agenda de Clima”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo (SP), no dia 03/10. O evento reuniu empresários, governo e especialistas para discutir o papel da indústria na agenda do clima e antecipar as propostas que o Brasil levará para a 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontecerá em novembro, em Baku, no Azerbaijão. No encontro, também foram realizadas sessões especiais para discutir os preparativos para a COP30, que será em Belém (PA), em 2025.

Na abertura do evento, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a contribuição da FIEPA para o sucesso da COP30. “Peço permissão para cumprimentar aos nossos queridos amigos da federação dos estados, aqui representando a todos eles o Alex Carvalho. Como todos sabem a COP30 será no Pará e Alex será um grande corresponsável pela nossa busca de fazer da COP30 no Brasil algo especial”, afirmou.

Para Alban, a COP29 de Baku, será um preparatório do Brasil para a COP30 em Belém. “Nessa COP29 precisamos encontrar as convergências para que a gente possa fazer da COP30 no Brasil um marco bastante significativo, já que o Brasil é um grande ator, mas não só porque nós queremos, mas porque é inerente ao Brasil. Não queremos ser apenas o pulmão do mundo, queremos estar juntos construindo com corresponsabilidade, com coparticipações e com cofinanciamento, e eu tenho certeza de que esse público que está aqui, é um público também formador de opinião e que pode ajudar a construir essas pontes para que encontremos as convergências mais imediatas”, pontuou o presidente da CNI.

A convite de Ricardo Alban, Alex Carvalho apresentou o painel “Jornada COP+: estratégias e preparativos para além da COP30”. “A Jornada COP+ é um projeto de grande propósito, que se traduz em diversas ações voltadas para a construção coletiva de uma nova agenda econômica, social e ambiental para a indústria brasileira. O objetivo é posicionar o país de forma independente, priorizando o desenvolvimento do seu povo e a preservação da sua biodiversidade. Essa mobilização coletiva busca fazer da indústria o principal vetor dessa transformação, assegurando que o Brasil não se torne refém de interesses alheios ao seu progresso sustentável”, explicou Carvalho.

Em sua apresentação, ressaltou que a COP30 trará oportunidades para repensar o modelo econômico, com vantagens como o crescimento sustentável e a inclusão social. “A COP30 será uma grande oportunidade para repensarmos o modelo de desenvolvimento da Amazônia e do Brasil, garantindo que seja mais justo e inclusivo. A Amazônia, que cobre mais de 58% do território brasileiro e abriga cerca de 30 milhões de pessoas, com 20% da água doce do planeta, ainda contribui com apenas 6% do PIB nacional. Esse cenário é paradoxal e exige uma transformação. Precisamos de um desenvolvimento sustentável que mantenha a floresta viva, combata a miséria e inclua a população local no processo econômico. A Jornada COP+ reflete esse compromisso, buscando soluções regionais com impactos globais”, afirmou Carvalho.

Carvalho reforçou o papel do setor industrial para a redução da desigualdade social. “Precisamos enfrentar a desigualdade social, considerando que, dos 10 municípios com os piores índices de desenvolvimento, quatro estão no Pará, que também concentra 15 dos municípios com os piores índices de emprego e renda da Região Norte. A indústria tem um papel central nesse processo, seja na geração de empregos ou na capacidade de promover inovação e desenvolvimento tecnológico, e, nesse contexto, as instituições de pesquisa da Amazônia devem estar integradas para alcançar soluções efetivas”, afirmou Carvalho.

Por fim, destacou a importância de uma ação integrada, colaborativa e contínua entre setores público e privado para defender a legalidade, valorizar a biodiversidade e promover o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia. “Precisamos agir com urgência para frear as queimadas que afetam a Amazônia e o mundo, combatendo com rigor as atividades ilegais e rejeitando qualquer associação direta ao desmatamento. A indústria paraense e da Amazônia defende estratégias firmes, com fiscalização rigorosa, ação policial e judicial no enfrentamento desse problema”, concluiu Alex Carvalho.

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República Tcheca busca parcerias com o setor industrial do Pará https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/10/15/republica-tcheca-busca-parcerias-com-o-setor-industrial-do-para/ Tue, 15 Oct 2024 19:28:35 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=13836

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) recebeu no dia 12/09, uma comitiva da República Tcheca representada pela embaixadora Pavla Havrlíková, acompanhada pelo cônsul Honorário Ernane Malato. O objetivo foi prospectar oportunidades de parceria para o fomento de negócios e colaborações bilaterais

Na reunião, a embaixadora destacou o perfil econômico da República Tcheca na indústria de tecnologia agrícola, da saúde e em sistemas de defesas, e reforçou o interesse de parceria comercial com o Pará em setores como mineração e agronegócio. “Já nessa primeira reunião identificamos alguns dos setores que achamos extremamente importantes, com a mineração e o setor agrícola. O objetivo hoje, foi estabelecer esse contato entre o nosso país e o setor industrial do estado do Pará e espero que seja o início de uma colaboração comercial e econômica mais estreita entre as entidades industriais e entre as empresas dos dois lados”, afirmou Pavla Havrlíková.

Segundo dados do Centro Internacional de Negócios da FIEPA, no primeiro semestre de 2023, a República Tcheca importou do Pará um total de US$ 76.304 mil, com destaque para a madeira. O presidente da Federação, Alex Carvalho, ressalta que o Estado pode expandir suas parcerias com o país europeu, explorando outros setores industriais, além da madeira. “Atualmente, o Brasil e o Estado do Pará exportam predominantemente madeira para a República Tcheca, sendo que o nosso Estado possui um potencial imenso em áreas como mineração, agropecuária, bioeconomia e diversos segmentos industriais que representam mais de 46% da indústria da Amazônia. Então, fortalecer parcerias nessas áreas pode gerar negócios, movimentar a economia, e promover mais empregos e desenvolvimento para a região”, destacou Alex Carvalho, presidente da FIEPA.

Também participaram da reunião o vice-presidente executivo da FIEPA, Clóvis Carneiro; a coordenadora executiva do Centro Internacional de Negócios da FIEPA, Cassandra Lobato; o gerente do Observatório da Indústria do Pará, Felipe Freitas; Sérgio Torres, da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex); e o empresário Patrick Samanda, da empresa Trasam, que exporta madeira para a República Tcheca, na ocasião representando o presidente do Sindicato da Indústria de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeiras de Belém, Ananindeua e Marituba (Sindimad), Leônidas Souza.

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Chamada Pública apresenta oportunidades de inovação e desenvolvimento na Amazônia Legal https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/10/15/chamada-publica-apresenta-oportunidades-de-inovacao-e-desenvolvimento-na-amazonia-legal/ Tue, 15 Oct 2024 19:22:10 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=13830

A Chamada Pública “FINEP Amazônia – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional”, promovida pelo Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da FIEPA e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), apresentou, no dia 18/09, novas oportunidades para empresas brasileiras, com sede ou filiais na Amazônia Legal, desenvolverem produtos e processos inovadores. O evento contou com a parceria da FIEPA/REDES, Instituto SENAI de Inovação e Tecnologias Minerais (ISI-TM) e o Observatório da Indústria do Pará.

O objetivo da FINEP é fomentar o desenvolvimento econômico e sustentável na Amazônia, por meio do financiamento de projetos ligados à bioeconomia e ao desenvolvimento regional. Segundo Rodrigo de Lima, gerente Regional Norte da FINEP, muitos empresários ainda desconhecem os mecanismos de apoio existentes. “Esse momento de divulgação e aproximação para explicar como são os processos e as linhas de crédito é sempre muito produtivo, e a gente vê que aumenta a qualidade dos projetos que são submetidos”, comentou.

Cassandra Lobato, gestora do FIEPA/NAC, destacou a importância do diálogo entre indústria e instituições financeiras. “Nosso objetivo é estreitar o relacionamento entre as indústrias e as instituições que fomentam o crédito, para que os empresários tirem as dúvidas e entendam as possibilidades de atração de recursos”, explicou.

O presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, ressaltou o papel da Federação em agilizar essas conexões. “Temos um campo muito vasto e fértil para desenvolver. O que compete a nós é buscar esses recursos. Esse é o espírito da Federação”, afirmou.

Temáticas prioritárias e recursos

A chamada abrange três grandes áreas de atuação:

  • Bioeconomia: desenvolvimento de produtos e processos a partir da biodiversidade amazônica, como biocombustíveis, cosméticos e alimentos.
  • Comunidades Resilientes e Sustentáveis: soluções para gargalos das cadeias produtivas da bioeconomia, saneamento, energia renovável, logística e maquinário.
  • Desenvolvimento do Território Amazônico: projetos voltados para cidades sustentáveis, descarbonização e transformação digital, com parcerias obrigatórias com Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) na Amazônia Legal.

A iniciativa disponibiliza R$ 100 milhões em recursos, com subvenções econômicas variando de R$ 3 milhões a R$ 20 milhões, dependendo do porte da empresa. As contrapartidas financeiras variam de 10% a 50%, conforme o tamanho da empresa. O prazo de execução dos projetos é de até 36 meses, podendo ser prorrogado.

As propostas devem atingir pelo menos 70% da pontuação máxima na análise de mérito, reforçando o compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal.

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