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Biodiversidade – Observatório FIEPA https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net Tue, 10 Mar 2026 11:50:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 Produto da bioeconomia, a castanha é do Pará, mas precisa de investimentos  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/produto-da-bioeconomia-a-castanha-e-do-para-mas-precisa-de-investimentos/ Mon, 24 Mar 2025 12:49:13 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14061

A Jornada COP+ está rastreando as principais cadeias produtivas do Pará, dentro do Programa de Sociobioeconomia do projeto. O movimento coletivo pela transição justa na Amazônia Brasileira, liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), está criando plataforma digital que vai medir o valor da sociobioeconomia no estado. A plataforma servirá como um mapa das cadeias de produtores, associações, cooperativas e indústrias que compõem o ecossistema da sociobioeconomia do estado. Para divulgar estas iniciativas, criamos a série  “Bio Valor: os caminhos da socioboeconomia no Pará”, com reportagens mensais em que abordaremos histórias e informações dos principais produtos da sociobioeconomia. Veja nessa reportagem iniciativas, desafios e soluções para a produção da castanha-do-pará no estado.

Uma panela de pressão de 30 litros, um fogão industrial, máquinas manuais de segunda mão e um forno a lenha. Esse era todo o material que o produtor Zeno Gemaque tinha quando começou a fazer o beneficiamento da castanha-do-Pará na cidade de Acará, nordeste do estado, há treze anos.

Zeno nasceu e cresceu na zona rural do município, às margens do Rio Acará, a cerca de 100 km de Belém, e começou a trabalhar com a castanha seguindo os passos do pai, que tinha uma pequena produção de castanheiras, da qual extraía o ouriço e vendia in natura para feiras e indústrias da região. Porém Zeno percebeu que a família podia ganhar mais dinheiro com outra etapa desse processo: o beneficiamento da castanha. “Naquela época o quilo da castanha in natura estava a 2 reais e 50 centavos e um sachê com 100 gramas dela processada já estava por volta de 8 reais no supermercado”, conta.

Com um investimento de R$2500 e sem acesso a máquinas industriais, Zeno criou a fábrica improvisada para beneficiar a castanha. “O secador rotativo não tinha, então secava ao sol. Fazia o processo do autoclave na panela de pressão, descascava nas máquinas manuais e desidratava num fogão a lenha. Foi assim que eu comecei em 2012 e a experiência deu certo”, relata Zeno.

Três anos depois, conseguiu formalizar a empresa, fundando a Zeno Nativo. Em seguida, comprou máquinas e reformou a pequena fábrica para ficar em padrão semi industrial. Hoje a castanha processada por Zeno é vendida no Mercado Ver-o-peso, empórios e moinhos da região, e também para outros estados como São Paulo, Maranhão e Ceará. “A gente consegue vender toda nossa produção. É um mercado bom, é um produto que se você tiver um bom produto é fácil de vender e você consegue vender bem”, explica o produtor.

Para ele, o problema não está no mercado e sim na cadeia. Zeno compra a castanha in natura de áreas nativas e preservadas de várias regiões do Pará, só que a oferta está cada vez mais instável, principalmente com as mudanças do clima.  “Tem anos que dá uma safra boa, tem anos que dá ruim. Esse ano, por exemplo, a safra está muito escassa porque nos últimos tempos a estiagem tem sido muito alta e isso afeta diretamente na produção da castanha”, explica o produtor que também se mostra preocupado com o futuro da produção. “Ainda tem em abundância, mas no ritmo que estamos indo daqui a pouquinho não vai ter mais”, conclui.

Fortalecimento da cadeia precisa começar com o plantio, diz especialista

Planta originária da Amazônia, a castanheira (Bertholletia excelsa) é uma das maiores espécies do bioma, podendo atingir até 50 metros de altura. A árvore dá frutos conhecidos como ouriços. Semelhantes a um coco, eles podem pesar até 2kg e possuir de 8 a 24 sementes. Os ouriços são quebrados e as sementes separadas e beneficiadas para serem comercializadas. Rica em selênio e outros nutrientes, a castanha-do-pará é recomendada por nutricionistas e ajuda a compor outros produtos como óleos e leites vegetais.

Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a cadeia da castanha-do-pará no Brasil envolve mais de 60 mil famílias de povos e comunidades tradicionais, cerca de 100 organizações comunitárias, entre cooperativas, associações e agroindústrias, e aproximadamente 60 empresas de beneficiamento e comercialização nacionais. A demanda pelo produto no mercado global aumentou em 700% nos últimos 15 anos e essa produção movimenta de US$ 300 a US$ 400 milhões (R$ 1,5 a R$ 2,0 bilhões) por ano.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que em 2023, o Pará produziu 9.390 toneladas da semente, o que representa um valor superior a R$ 31 milhões em produção. O estado foi o terceiro maior produtor da castanha que leva seu nome, ficando atrás do Amazonas (11.291 toneladas) e do Acre (9.473 toneladas).

Pesquisas da Embrapa mostram que ao longo da história, os processos de ocupação e colonização da Amazônia, como aberturas de estrada, afetaram diretamente a plantação da castanha, fazendo com que o Pará deixasse de ser o principal produtor da semente. Só entre os anos de 1984 a 1997, 70% dos castanhais foram destruídos na região sudeste do Pará, segundo Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e um dos principais estudiosos sobre o assunto. Atualmente, são os municípios de Óbidos, Oriximiná e Alenquer, todos no oeste paraense, os maiores produtores.

Homma explica que o plantio de castanhas não tem sido priorizado porque a produção demora a dar retorno, visto que a castanheira leva de 15 a 20 anos para chegar à fase adulta e só após esse tempo é possível extrair o ouriço. Mas que já existem tecnologias, inclusive na própria Embrapa, para produção de mudas com qualidade e com retorno mais rápido. “É preciso incentivar e popularizar o plantio e ter paciência, entendendo que é algo que vai gerar resultados a longo prazo. Num momento em que se discute a bioeconomia, é preciso pensar nos produtos que têm poder de mercado como a castanha, o bacuri, e o pau-rosa que é muito procurado para cosméticos, como sabonetes e perfumes”, destaca.

Para Homma, a castanha-do-pará tem as mesmas condições de chegar ao nível da castanha do caju. “Hoje a participação da castanha-do-Pará no mercado das castanhas não chega a 1% e é dezessete vezes menor que a da castanha de caju, mas isso pode ser igualado, se houver incentivo.”

O pesquisador defende a existência de programa de plantação de castanheiras em áreas de reserva legal e de preservação permanente que precisam ser recuperadas. “A castanha tem um grande mercado, o mundo inteiro conhece e gosta da castanha-do-Pará. Mas a oferta extrativista já chegou ao seu limite. Temos um passivo ambiental muito grande. Essas áreas podem ser usadas para a plantação de castanheiras. É preciso também um programa que incentive a criação de viveiro de mudas que possam ser distribuídas gratuitamente ou vendidas a preço de custo”, destaca.

Com os desafios do mercado internacional, indústrias tradicionais se reinventam

A castanha-do-pará ganhou esse nome entre o século XVIII e XIX, batizada pelos visitantes da Amazônia. Além de ser produzida no estado, era dos portos paraenses que a castanha era exportada ainda in natura, principalmente a partir da década de 1920, como uma forma de substituir a cadeia da borracha.

Hoje, a produção da castanha-do-pará se concentra em três países da Amazônia: Bolívia, Brasil e Peru. Em 2023, o Brasil produziu 35.351 toneladas do produto, de acordo com o IBGE. O país é o segundo maior produtor mundial, ficando atrás da Bolívia, que também detém a maior parte do mercado internacional.

Empresas paraenses tradicionais no beneficiamento do produto tentam se reposicionar no mercado internacional. É o caso da Mutran Exportadora, empresa familiar com mais de 50 anos de história no setor. Assim como a trajetória de Zeno, na família Mutran a produção da castanha também foi repassada entre gerações. Começou com o plantio de castanhais em Marabá, no sudeste do Pará, depois passou para o beneficiamento com a aquisição de usina de processamento no bairro da Pratinha, em Belém.

Inicialmente o foco era apenas a exportação, mas a mudança no mercado internacional exigiu novas estratégias.  “A partir dos anos 1990/2000, a Bolívia passou a dominar o mercado internacional, tendo passado por um processo de modernização e mecanização do processamento duas décadas antes das empresas brasileiras. Isso fez com que perdêssemos a relevância no mercado internacional e passássemos a vender quase que a totalidade da nossa produção no mercado nacional brasileiro. Por sorte, esse período coincidiu com o aumento no consumo da castanha nacionalmente e com a sua utilização cada vez maior como ingrediente em produtos da indústria alimentícia”, conta Victória Mutran, diretora da exportadora. Hoje, a castanha beneficiada pela empresa vira insumo para pães, doces, barras de cereais, granolas, entre outros produtos.

Em 2024, a empresa processou mais de 5.000 toneladas de Castanha do Pará in natura, gerando mais de 1.500 toneladas de produto acabado. Quarenta por cento dessa produção foi exportada para países da América, da Europa e da Ásia. “Nossa presença nas exportações tem aumentado à medida que aumentamos a nossa produção anual. Ao longo dos anos, também tivemos grande aumento nas exigências de controle de qualidade e segurança de alimentos e a necessidade de obter certificações internacionais para abrir portas de grandes indústrias e mercados mais exigentes”, destaca Mutran.

A redução na disponibilidade de castanhas no sudeste do Pará também impactou a produção e a indústria precisou buscar outros fornecedores em outras regiões do estado e também no Amazonas, Roraima e Acre. Mas os desafios da cadeia ainda são muitos. “A castanha demanda grande esforço financeiro e logístico para sair das áreas de mata mais densas e chegar até Belém para só depois serem processadas e comercializadas para o Brasil e para o mundo”, afirma Victória.

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Bioeconomia e sociobioeconomia: desafios e oportunidades para sustentabilidade na Amazônia  https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2025/03/24/bioeconomia-e-sociobioeconomia-desafios-e-oportunidades-para-sustentabilidade-na-amazonia/ Mon, 24 Mar 2025 12:29:56 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14043

Em carta divulgada nesta semana, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, destacou o papel das florestas para a ação climática. No documento, o presidente falou da importância de reverter o desmatamento, recuperar o que foi perdido e trazer ecossistemas de volta à vida. Estes, mais saudáveis, “podem oferecer oportunidades para resiliência e bioeconomia, promovendo meios de subsistência locais, criando cadeias de valor sofisticadas e gerando inovações em biotecnologia”, diz a carta.

A mobilização da Indústria: sustentabilidade e biodiversidade nos negócios

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 2024, aponta que seis em cada dez empresas adotam práticas relacionadas à biodiversidade nos negócios (58%), como tecnologias, certificações e uso sustentável de recursos.

O Pará e a bioeconomia: da criação de Plano Estadual à proposição de uma Zona Franca

O Governo do Estado criou a Política Estadual de Mudanças Climáticas, o Plano Amazônia Agora, que tem como propósito mudar a relação de uso da floresta, reduzir o desmatamento e tornar o Pará um estado carbono neutro até 2036.

Pequenos e médios negócios precisam ser protagonistas

Empresas de pequeno e médio porte também estão articuladas. Para fortalecer o setor, promover inovação, capacitação e articulação estratégica foi criada, em 2023, a Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia, a AssoBIO, que hoje já conta com 75 associados.

A Jornada COP+ foi idealizada pela Temple Comunicação e é realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), com apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), da Ação Pró-Amazônia, SESI, SENAI, IEL e Instituto Amazônia+21. O projeto tem como patrocinador master a mineradora Vale.

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Rumo à COP30: FIEPA defende desenvolvimento sustentável e inclusão social em reunião da “Pré-COP29″ https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/10/15/rumo-a-cop30-fiepa-defende-desenvolvimento-sustentavel-e-inclusao-social-em-reuniao-da-pre-cop29/ Tue, 15 Oct 2024 19:38:31 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=13853 Evento ocorreu em São Paulo para tratar dos preparativos do Brasil para a Conferência do Clima, em Baku, em novembro

Como porta-voz do setor produtivo industrial paraense, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) participou ativamente do encontro “Pré-COP29: O Papel da Indústria na Agenda de Clima”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo (SP), no dia 03/10. O evento reuniu empresários, governo e especialistas para discutir o papel da indústria na agenda do clima e antecipar as propostas que o Brasil levará para a 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontecerá em novembro, em Baku, no Azerbaijão. No encontro, também foram realizadas sessões especiais para discutir os preparativos para a COP30, que será em Belém (PA), em 2025.

Na abertura do evento, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a contribuição da FIEPA para o sucesso da COP30. “Peço permissão para cumprimentar aos nossos queridos amigos da federação dos estados, aqui representando a todos eles o Alex Carvalho. Como todos sabem a COP30 será no Pará e Alex será um grande corresponsável pela nossa busca de fazer da COP30 no Brasil algo especial”, afirmou.

Para Alban, a COP29 de Baku, será um preparatório do Brasil para a COP30 em Belém. “Nessa COP29 precisamos encontrar as convergências para que a gente possa fazer da COP30 no Brasil um marco bastante significativo, já que o Brasil é um grande ator, mas não só porque nós queremos, mas porque é inerente ao Brasil. Não queremos ser apenas o pulmão do mundo, queremos estar juntos construindo com corresponsabilidade, com coparticipações e com cofinanciamento, e eu tenho certeza de que esse público que está aqui, é um público também formador de opinião e que pode ajudar a construir essas pontes para que encontremos as convergências mais imediatas”, pontuou o presidente da CNI.

A convite de Ricardo Alban, Alex Carvalho apresentou o painel “Jornada COP+: estratégias e preparativos para além da COP30”. “A Jornada COP+ é um projeto de grande propósito, que se traduz em diversas ações voltadas para a construção coletiva de uma nova agenda econômica, social e ambiental para a indústria brasileira. O objetivo é posicionar o país de forma independente, priorizando o desenvolvimento do seu povo e a preservação da sua biodiversidade. Essa mobilização coletiva busca fazer da indústria o principal vetor dessa transformação, assegurando que o Brasil não se torne refém de interesses alheios ao seu progresso sustentável”, explicou Carvalho.

Em sua apresentação, ressaltou que a COP30 trará oportunidades para repensar o modelo econômico, com vantagens como o crescimento sustentável e a inclusão social. “A COP30 será uma grande oportunidade para repensarmos o modelo de desenvolvimento da Amazônia e do Brasil, garantindo que seja mais justo e inclusivo. A Amazônia, que cobre mais de 58% do território brasileiro e abriga cerca de 30 milhões de pessoas, com 20% da água doce do planeta, ainda contribui com apenas 6% do PIB nacional. Esse cenário é paradoxal e exige uma transformação. Precisamos de um desenvolvimento sustentável que mantenha a floresta viva, combata a miséria e inclua a população local no processo econômico. A Jornada COP+ reflete esse compromisso, buscando soluções regionais com impactos globais”, afirmou Carvalho.

Carvalho reforçou o papel do setor industrial para a redução da desigualdade social. “Precisamos enfrentar a desigualdade social, considerando que, dos 10 municípios com os piores índices de desenvolvimento, quatro estão no Pará, que também concentra 15 dos municípios com os piores índices de emprego e renda da Região Norte. A indústria tem um papel central nesse processo, seja na geração de empregos ou na capacidade de promover inovação e desenvolvimento tecnológico, e, nesse contexto, as instituições de pesquisa da Amazônia devem estar integradas para alcançar soluções efetivas”, afirmou Carvalho.

Por fim, destacou a importância de uma ação integrada, colaborativa e contínua entre setores público e privado para defender a legalidade, valorizar a biodiversidade e promover o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia. “Precisamos agir com urgência para frear as queimadas que afetam a Amazônia e o mundo, combatendo com rigor as atividades ilegais e rejeitando qualquer associação direta ao desmatamento. A indústria paraense e da Amazônia defende estratégias firmes, com fiscalização rigorosa, ação policial e judicial no enfrentamento desse problema”, concluiu Alex Carvalho.

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Novos produtos na pauta de exportações do Estado https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2023/06/27/novos-produtos-na-pauta-de-exportacoes-do-estado-2/ Tue, 27 Jun 2023 20:24:26 +0000 https://app-portal-observatorio.azurewebsites.net/?p=9479

Ao longo dos anos, o Estado tem conseguido apresentar o seu potencial de negócios para importantes compradores internacionais

O Pará é uma terra de superlativos: e o segundo maior estado da federação em extensão territorial; e o estado mais populoso da Região Norte; possui uma das maiores capacidades de geração de energia hidrelétrica do país; apresenta uma posição geográfica estratégica para o comercio exterior e conta com uma característica que o torna único: a biodiversidade da maior floresta tropical do planeta, a Amazonia.

Ao longo dos anos, o Estado tem buscado desenvolver e apresentar ao mercado global todo o seu potencial de negócios, como um parceiro confiável e capacitado para fornecer produtos de qualidade e com diferencial competitivo. Para isso, a Federação das Indústrias do Estado do Para (FIEPA), por meio do seu Centro Internacional de Negócios (CIN), com o apoio e fomento de importantes parceiros, vem desenvolvendo um trabalho no sentido de promover a adequação de produtos e empresas paraenses para inserção no mercado internacional. Como resultado, e possível notar mudanças no cenário do comercio exterior do Estado, com o surgimento de novos produtos na balança comercial e maior diversificação da pauta de exportações.

NOVOS PRODUTOS

Suco de fruta de açaí, soja, milho, cacau e derivados, cerveja e carne de bovinos são apenas alguns dos produtos que vem ganhando projeção na balança comercial, nos últimos dez anos. Considerados novos, em comparação com produtos tradicionais como minério, madeira e pescados, por exemplo, eles têm apresentado bons resultados nas exportações, sendo cada vez mais valorizados no mercado internacional.

Segundo Cassandra Lobato, coordenadora do Centro Internacional de Negócios da FIEPA (CIN/FIEPA), a partir dos números da balança e possível notar essa mudança. “Para se ter uma ideia, em 2022 o Para conseguiu aumentar em 11,92% a inserção de novos produtos na balança comercial, o que representa um total de 1.287 produtos que até pouco tempo não faziam parte da pauta de exportação do Estado”, explica Cassandra.

 

EXPORTAÇÃO DO AÇAÍ CRESCEU MAIS DE 16.000%, EM DEZ ANOS

Um dos produtos que mais despertou o interesse e ganhou espaço no mercado internacional foi o açaí, que iniciou sua participação na balança comercial paraense em 2012 e teve um crescimento de mais de 16 mil por cento em comparação com o início de suas exportações.

Segundo Cassandra, o aumento se deve a alguns fatores, como os esforços da indústria da fruticultura, por meio de investimentos em inovação; a expansão do mix de produtos oriundos do açaí que, além do suco da fruta em tambores, passou a comercializar outros itens com maior valor agregado; e o manejo sustentável e ambientalmente responsável empregado em toda a cadeia produtiva do açaí, que atende as exigências do mercado internacional e atrai cada vez mais compradores.

Para Victor Brandao, coordenador de exportações da Amazon Polpas, localizada na cidade de Castanhal, as propriedades nutricionais do açaí também são responsáveis pelo sucesso da fruta amazônica no exterior. “Acredito que esse aumento das exportações se deve principalmente pela difusão das propriedades do açaí, que é energético e bom para a saúde”, avalia Brandao.

A empresa começou a exportar em 2015, ainda em pouca quantidade, entre três e cinco containers. Em 2020, já exportava em torno de 100 containers, para mercados nos Estrados Unidos, Japão, Europa e América Latina, com um mix de produtos que contribuiu para a expansão dos negócios. “Cada mercado tem uma demanda diferente: nos EUA e mais a polpa de açaí com guaraná, no Japão e sorbet de açaí com banana, na Europa sorbet de açaí com guaraná e na América Latina a preferência e pela polpa da fruta”, explica o coordenador de exportações.

CACAU PARAENSE – SUSTENTABILIDADE GARANTE PROTAGONISMO

Tendo como principal destino o Japão, o cacau paraense teve um salto no seu desempenho de exportação. No topo do ranking, o cacau do Para tem como diferencial uma expansão sustentável, na qual 70% do cultivo e feito majoritariamente por agricultores familiares e em sistemas agroflorestais benéficos para a Amazonia, integrando geração de emprego e renda a preservação da floresta.

Os números da balança comercial reforçam a trajetória de sucesso do cacau paraense. Se em 2012 o volume exportado foi de US$ 676 milhões, em 2022, fechou o ano com um total de US$ 1.663 bilhão e mais de 500 toneladas do fruto. Segundo Cassandra, a verticalização da amêndoa do cacau em produtos derivados como o chocolate, que tem um maior valor agregado, e importante para a expansão da pauta exportadora do Estado. “A qualidade, o aroma e o sabor do cacau paraense são únicos e precisam ser divulgados. Então, nosso objetivo como entidade do setor produtivo e ampliar cada vez mais essa divulgação, e o que temos feito por meio do apoio de missões empresariais como o Salon Du Chocolat de Paris, por exemplo, na qual empresários locais puderam fazer networking, identificar potenciais parceiros e conhecer tecnologias e tendencias do setor”, explica Cassandra.

Para falar em diversificação da pauta de exportações, e necessário também destacar o desempenho da soja, que cresceu mais de 600% no Estado. De um volume exportado de US$ 182 milhões, em 2012, passou para quase US$ 1.400 bilhão, em 2022. “Estes resultados demonstram todo o esforço das nossas indústrias e do agronegócio em prol dessa diversificação que nos permite ampliar o mix de produtos a serem oferecidos ao mercado internacional, o que torna nossa pauta menos dependente de um único produto”, analisa Lobato.

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