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China – Observatório FIEPA https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net Tue, 10 Mar 2026 11:49:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 Exportações do Pará somam US$ 24,23 bilhões em 2025 e consolidam protagonismo do estado no comércio exterior https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2026/01/23/exportacoes-do-para-somam-us-2423-bilhoes-em-2025-e-consolidam-protagonismo-do-estado-no-comercio-exterior/ Fri, 23 Jan 2026 14:57:59 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=14426

O desempenho da pauta exportadora paraense em 2025 confirmou uma das combinações mais robustas dos últimos anos, sustentada pela força histórica do setor mineral e pelo avanço expressivo dos produtos agroindustriais. No acumulado de janeiro a dezembro, as exportações do Pará totalizaram US$ 24,23 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 21,49 bilhões.

Com esse resultado, o Estado manteve a terceira posição no ranking nacional de saldo comercial e segue como líder absoluto da Região Norte. O setor mineral permaneceu como o principal pilar: a alumina calcinada alcançou US$ 1,89 bilhão, enquanto o minério de ferro somou US$ 11,64 bilhões, exercendo papel determinante na economia estadual.

Na agroindústria, o destaque foi a carne bovina, que alcançou US$ 1,22 bilhão em vendas externas, impulsionada pela demanda da China. A soja também se consolidou com US$ 1,61 bilhão em exportações. Já o setor madeireiro registrou crescimento de 10,88%, tendo os Estados Unidos como principal destino.

Outros pontos altos de 2025 incluíram a retomada das exportações de bovinos vivos (US$ 574 milhões) e a ascensão do milho. A Ásia continua sendo o maior parceiro comercial do Pará, absorvendo 61,67% das vendas externas, seguida pela União Europeia e América do Norte.

Apesar dos desafios globais e do “tarifaço” do governo Trump, o Pará preservou sua relevância. Um avanço estratégico foi a retirada da taxação sobre o açaí em novembro, abrindo portas para o mercado norte-americano. Contudo, dados da FIEPA alertam para a vulnerabilidade de municípios que dependem quase exclusivamente da cadeia do açaí, como Igarapé-Miri e Muaná.

“Mesmo em um cenário global marcado por instabilidade, o Pará manteve trajetória de crescimento, expandiu sua base comercial e reforçou sua relevância estratégica. A combinação entre o vigor do setor industrial e o fortalecimento do agronegócio consolidou 2025 como um ano de avanços estruturais”, declara Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEPA.
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“Vitrine da Indústria na Amazônia” destaca a produção de negócios do setor industrial do Pará https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/10/15/vitrine-da-industria-na-amazonia-destaca-a-producao-de-negocios-do-setor-industrial-do-para/ Tue, 15 Oct 2024 19:41:59 +0000 https://observatorio.fiepa.org.br/?p=13860

Para destacar o melhor da produção industrial regional, conectando inovação, sustentabilidade e desenvolvimento, o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA) inaugurou, no dia 12/09, a “Vitrine da Indústria na Amazônia”, espaço de exposição localizado na sede da entidade, em Belém. Nesta primeira edição, ficarão expostos produtos do setor de cosméticos e fitoterápicos paraenses, de empresas que compõem o projeto Amazônia na Pele, mantido pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos, Petroquímicos, Farmacêuticos e de Perfumaria (Sinquifarma).

A exposição reúne um mix de produtos, como sabonetes, xampus, hidratantes, óleos corporais, óleos naturais, fitoterápicos, esfoliantes e cremes, fabricados a partir de diversas matérias primas da floresta. “É um espaço para que a sociedade possa conhecer o que nós temos produzido aqui no Estado. Com o apoio da FIEPA, nós conseguimos consolidar esse grupo de 15 empresas sindicalizadas, dentro do projeto Amazônia na Pele. É muito bom poder apresentar o potencial dessas empresas da Amazônia, com insumos daqui, gerando renda e verticalizando a produção. Aqui tem empresa com mais de 100 anos, assim como tem outras novas indústrias, startups, com ideias e experiências inovadoras”, explica Fatima Chamma, diretora da FIEPA e vice-presidente do Sinquifarma.

O presidente da FIEPA, Alex Carvalho, afirma que o espaço faz parte das diversas iniciativas da entidade, preparatórias para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), e deve permanecer após o evento global, como forma de divulgação e valorização do trabalho executado pelo Sistema Indústria, pelos sindicatos e pelas empresas dos diversos segmentos industriais. “Este espaço nasce verdadeiramente como uma vitrine daquilo que nós temos de melhor da indústria no território amazônico, no território do nosso estado, com as nossas potencialidades, com preservação e sustentabilidade ambiental, inclusão social e desenvolvimento de uma cadeia de valor que internalize riquezas e traga, não só a geração de empregos, mas a qualificação desses empregos e a verticalização dessa produção”, afirmou o presidente da Federação.

“Esse projeto é fundamental porque a gente tem que mostrar o que a gente tem de bom, porque como eu falo, as pessoas todas querem usufruir da Amazônia, mas não devolvem. A gente devolve, a gente beneficia, a gente gera a mão de obra, e os nossos produtos são 100% Amazônia. A gente une forças para levar a experiência verdadeiramente amazônica para o mundo”, comemorou a empresária Tatiana Sinimbú, da empresa Jambú Sinimbú, expositora que participa do projeto.

O presidente do Sinquifarma, Nilson Azevedo, reforçou a importância de um trabalho conjunto entre as instituições e as empresas. “Nós temos um mercado excelente que tem feito várias incursões para outros países, mas ainda temos muitos desafios aqui na região, com altos custos para as empresas que querem empreender, vender seus produtos, então acredito que a saída é sempre nos unirmos para buscar soluções para vencer os desafios e fortalecer as nossas indústrias”, afirmou Azevedo.

De acordo com dados do Centro Internacional de Negócios da FIEPA, no primeiro semestre de 2024, o Pará exportou US$ 1.265.577 milhões e 676,64 toneladas de produtos higiene pessoal, cosméticos e perfumaria. Os principais produtos foram sabões, óleos, bálsamos naturais e papel higiênico, que tiveram como principais destinos países como o Paraguai, Venezuela, Estados Unidos, Alemanha, Polônia, Reino Unido, México, França, China e Países Baixos (Holanda), respectivamente.

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Resultado das exportações no Pará em 2023 https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2024/01/30/resultado-das-exportacoes-no-para-em-2023/ Tue, 30 Jan 2024 18:50:40 +0000 https://app-portal-observatorio.azurewebsites.net/?p=13185

Em 2023 o Estado do Pará exportou um valor acumulado de US$ 22.258.128.915 bilhões, fechando o período com uma variação positiva de 3,45% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram exportadas 179 milhões de toneladas. Foi o maior exportador da Região Norte e segundo maior da Amazônia Legal. No ranking nacional, o Estado ficou na terceira colocação em saldo, com US$ 20.345.715.389 bilhões, atrás dos Estados de Mato Grosso e Minas Gerais, e manteve a sétima posição em valor exportado. Nas importações ficou na 17ª posição no país, com um valor de US$ 1.912.413.526 bilhões, 3.693.086 milhões de toneladas e queda de -30,19%. Os dados são do Ministério de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, analisados e divulgados pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (CIN/FIEPA).

De acordo com a coordenadora do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (CIN/FIEPA), com base nos resultados apresentados durante todo o ano, o consolidado de 2023 demonstrou uma recuperação da balança no período. “Foi um período difícil para o comércio exterior em função de diversos fatores, entre os quais o de que o mundo ainda sente alguns reflexos da pandemia, no qual os países se voltaram mais para o seu mercado interno, valorizando seus produtos nacionais. Além disso, tivemos a crise interna no setor imobiliário pela qual passou a China, que é o nosso principal hoje comprador Internacional; além do cenário de guerra que gera incertezas e impacta negativamente a relação comercial entre os países. Apesar desses problemas, o Estado conseguiu fechar o ano com um resultado positivo, ainda que com uma margem pequena, nos surpreendendo positivamente”, afirma Lobato.

Mineração – No período, o setor mineral manteve 84% de participação nas exportações paraenses. Os destaques foram para o minério de ferro, que exportou mais de US$ 12.9 bilhões, apresentando uma variação positiva de 1,45% e mais de 161 milhões de toneladas que tiveram como principal destino a China; e o cobre que exportou mais US$ 2.452 bilhões e teve um crescimento de 41,15%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, tendo como principal comprador a Alemanha.

Além da mineração, os outros produtos que fecharam em alta em 2023 foram a soja, que exportou US$ 1.657.078.513 bilhão, com 3.198.506 toneladas vendidas principalmente para a China, com um crescimento de 18,55% no período; o palmito, que apresentou uma variação positiva de 4,59%, com um volume de US$ 739.406 mil exportados principalmente para os Estados Unidos; e as sementes de gergelim, que apresentaram um crescimento de 355,28%, com um valor exportado de US$ 59.876.121 milhões, tendo como principal destino a Índia.

Para o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, apesar dos números positivos na exportação, os resultados poderiam ser potencializados com uma maior verticalização da produção e por meio de investimentos em infraestrutura, pesquisa, inovação e qualificação de mão de obra. “Entendemos que os resultados das exportações são positivos e trazem divisas importantes para o nosso Estado. Entretanto, do ponto de vista do setor industrial, não poderíamos deixar de lamentar o fato de que a economia paraense ainda é composta, quase que unicamente, pela venda de commodities, que são produtos de baixo valor agregado para o mercado internacional. São riquezas naturais do nosso Estado que poderiam estar sendo transformadas em bens de consumo com retornos altamente relevantes para a nossa economia. Como temos dito sempre, precisamos urgentemente avançar na melhoria da infraestrutura do nosso Estado, encampando outras políticas públicas, a começar pela regularização fundiária, que o tornem mais atrativo para a implantação de novas indústrias e que propiciem a verticalização da produção local, ampliando a oferta de produtos com melhor valor agregado e internalizando mais as nossas riquezas”, analisa Carvalho

“Verticalizar a produção é extremante importante e isso passa pela necessidade de termos uma indústria fortalecida, inovadora e em harmonia com o meio ambiente. Então, essa também é uma oportunidade para introduzirmos em nossos processos fabris conceitos como o da bioeconomia, para que possamos aproveitar todo o potencial natural existente na região, de forma responsável e sustentável, e levar aos territórios mais desenvolvimento, por meio de emprego, renda ou de parcerias que propiciem os aportes necessários para áreas prioritárias como saneamento básico, saúde e educação na região avalia o presidente da FIEPA.

Principais destinos – Os principais destinos das exportações do Pará, de janeiro a dezembro de 2023, foram a Ásia, União Europeia, América do Norte e Oriente Médio, com um volume de negócios de mais de US$ 20 bilhões. Da Ásia, o país que mais comprou do Pará está a China, com US$ 11.186.158.808 bilhões; do bloco da União Europeia, a Alemanha apresentou um acumulado de US$ 683.867.135 milhões; da América do Norte, os Estados Unidos importaram US$ 794.682.482 milhões; e do Oriente Médio, Omã foi responsável por US$ 273.578.668 milhões.

No cenário nacional, impulsionadas pelo setor mineral, as cidades paraenses que mais exportaram foram Parauapebas, com US$ 6.750 bilhões, e Canaã dos Carajás, com US$ 6.400 bilhões, ficando atrás apenas das cidades do Rio de Janeiro (RJ), Duque de Caxias (RJ) e Paranaguá (PR). Além destas, também aparecem Barcarena (US$ 2.680 bilhões), Marabá (US$ 2.109 bilhões) e Paragominas (US$ 749 milhões). A capital Belém ficou em 12º lugar no ranking Brasil, com US$ 206.364.348 milhões, no seu valor total exportado no período de janeiro a dezembro de 2023.

No consolidado do ano, fecharam em baixa a madeira, com -39,39% e US$ 212.858.782 milhões exportados; os sucos de Frutas, com -1,14 % e US$ 73.287.463 milhões exportados; os peixes, com US$ 69.286.633 milhões exportados e queda de -11,49%. Outro produto que registou baixa foi a carne de bovinos, com -22,09% no período, e valor exportado de US$ 505.792.914 milhões.

Para Daniel Freire, vice-presidente executivo da FIEPA e presidente do Sindicato da Carne e Derivados do Estado do Pará (Sindicarne), o resultado acompanhou a queda do preço da arroba do boi, aliada às variações que a commodity carne costuma apresentar no mercado internacional. “Além disso, tivemos também o autoembargo da nossa carne à China quando deixamos de embarcar carne para lá no primeiro trimestre. Apesar da variação de preços dessa commodity, existem mercados mais atrativos do que outros, então para blindar o setor das grandes oscilações, precisamos acessar o maior número de países possíveis para a carne do estado, assinando protocolos sanitários de formas a liberar essa exportação, esse é o nosso foco e temos contado com o forte apoio do governo do estado já que a indústria paraense é umas das mais modernas do país, com os mais altos níveis de processo sanitário e seguindo os mais exigentes critérios socioambientais”, analisa Freire.

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Indústria paraense investe em fontes alternativas de energia https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2023/07/13/industria-paraense-investe-em-fontes-alternativas-de-energia/ Thu, 13 Jul 2023 19:32:24 +0000 https://app-portal-observatorio.azurewebsites.net/?p=10883

No Pará, a partir do reaproveitamento de matérias-primas utilizadas nos processos produtivos, as indústrias locais têm buscado novos caminhos para superar desafios em consonância com o meio ambiente. É o caso da Madeireira Ebata, que utiliza madeira extraída do Manejo Florestal Sustentável como insumo para a geração de energia limpa. O caminho que a Madeireira Ebata percorre é o mesmo de muitas outras empresas que enxergaram, no reaproveitamento de matérias-primas, fontes alternativas de energia para manter sustentáveis as suas operações.

Segundo o diretor da Ebata, Leônidas Dahás, o projeto da empresa foi concebido com o objetivo de otimizar o resíduo industrial gerado na fábrica, localizada no Distrito Industrial de Icoaraci, em Belém. “Todas as empresas estão buscando alternativas para reaproveitar seus resíduos industriais. Então, investimos na geração de energia através da queima da biomassa de sobra da madeira que resulta do processo de fabricação de decks e assoalhos”, explica Leônidas. Para o empresário, o Brasil pode ser exemplo de produção sustentável de madeira, por meio das técnicas de extração de impacto reduzido desenvolvidas pelo Instituto das Concessões Florestais. Essas técnicas possibilitam a rastreabilidade da madeira através de todo o processo industrial, abrindo portas para que o resíduo gerado nas serrarias possa ser utilizado para geração de energia.

Para o empresário, o Brasil pode ser exemplo de produção sustentável de madeira, por meio das técnicas de extração de impacto reduzido desenvolvidas pelo Instituto das Concessões Florestais. Essas técnicas possibilitam a rastreabilidade da madeira através de todo o processo industrial, abrindo portas para que o resíduo gerado nas serrarias possa ser utilizado para geração de energia.

Outra iniciativa que também está em andamento é o estudo para uso do caroço de açaí como biomassa. A Alunorte acredita que o caroço do açaí, quando misturado ao carvão mineral, poderá ser usado como combustível nas caldeiras da refinaria. O estudo está sendo realizado em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA), com duração de um ano e investimento de cerca de R$ 500 mil.

Assim como a Ebata, a Alunorte, maior refinaria de alumina fora da China, decidiu fazer uma mudança da matriz energética e colocou para operar a primeira caldeira elétrica com tecnologia mais moderna e com maior capacidade. O investimento foi de aproximadamente R$ 42 milhões. A capacidade nominal de geração da nova caldeira é de aproximadamente 95 toneladas de vapor por hora, consumindo 60 megawatts e com potencial para redução na ordem de 100 mil toneladas de CO2 por ano. O projeto foi executado em cerca de 20 meses.

Com resultados positivos, outras duas caldeiras estão em fase de projeto com expectativa de iniciar a operação em 2024. Essa nova matriz energética na Alunorte é um capacitador-chave da estratégia climática global da Hydro. Além disso, a empresa também está em fase de construção do projeto de substituição do óleo combustível por gás natural na refinaria. Em 2021, a Hydro anunciou o investimento de R$ 1,3 bilhão em um projeto de implementação do gás natural liquefeito (GNL) na Alunorte. O contrato foi assinado com a New Fortress Energy (NFE) com o objetivo de receber fornecimento de GN por 15 anos.

BIOGÁS

Em Marituba, a Guamá Tratamento de Resíduos investiu R$ 4 milhões para a instalação e funcionamento de uma usina de biogás no aterro sanitário que atende a Região Metropolitana de Belém. Desde dezembro de 2021, o empreendimento conta com uma rede coletora de gases, instalada para captar o gás metano gerado durante o tratamento de resíduos e direcioná-lo até um espaço enclausurado para o aproveitamento.

O biogás de aterros sanitários, gerado pela decomposição de matéria orgânica em ambiente sem a presença de oxigênio, possui como principais componentes o dióxido de carbono e o metano. Este último é um gás de efeito estufa, que influencia as mudanças climáticas em todo o planeta. O sistema de tratamento de biogás instalado na empresa visa reverter o quadro poluente.

“Tratar o gás que é gerado traz ganhos ambientais na medida em que transforma o metano em água e gás carbônico. Esses produtos reduzem o impacto na camada de ozônio ao minimizar em até 25 vezes as emissões de carbono na atmosfera”, explica o diretor regional da Guamá Tratamento de Resíduos, José Reginaldo Bezerra. No aterro sanitário de Marituba, esse processo também reduz consideravelmente a emissão dos odores característicos da atividade.

PRODUÇÃO DE ENERGIA

Além dos benefícios climáticos, o gás metano é fonte de energia elétrica limpa e renovável. Por isso, até o final de 2022, a empresa planeja a instalação de uma usina termoelétrica que produzirá cerca de dois megawatts por hora. A energia será consumida dentro do próprio aterro. “Transformar em benefícios ambientais e energéticos algo que muitos veem como transtorno significa aproveitar ao máximo todas as possibilidades para que o aterro sanitário vá além da sua atividade fim, que é o tratamento de resíduos com excelência. Representa um passo à frente na perspectiva da sustentabilidade”, destaca Reginaldo Bezerra.

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A potência logística do arco Norte https://app-portal-observatorio-hml.azurewebsites.net/2023/07/13/a-potencia-logistica-do-arco-norte-2/ Thu, 13 Jul 2023 17:02:00 +0000 https://app-portal-observatorio.azurewebsites.net/?p=10880

Em um estudo concluído em 2019 pela consultoria Bain & Company, na próxima década, o Brasil poderá suprir 45% do aumento das importações mundiais de soja e milho, sendo que quase 60% dessa capacidade adicional sairá do país por portos da região Norte. No chamado Arco Norte, o Pará é o único estado que possui uma característica de intermodalidade para o desenvolvimento das operações de transporte, pois alcança os portos por vias rodoviárias, aquaviárias, aeroviárias e, futuramente, com a Ferrogrão, também pela via ferroviária. Com isso, o estado será capaz de desenvolver plataformas de negócios para exportação e importação.

“Desde 2016, com a ampliação do Canal do Panamá, nós estamos muito mais próximos dos principais mercados globais consumidores de grãos, como o mercado asiático, do que os portos do eixo Sul e Sudeste. Por isso, houve essa ligação, por conta da geração de escala, da economia de custo de frete, pelo posicionamento geográfico estratégico e pela infraestrutura natural de calados, que é a profundidade de cais para ancorar navios de grande porte no Arco Norte. O maior porto no Brasil e América Latina é o Porto de Santos, que tem um calado de 12,6 metros. Apesar das dificuldades que temos no Pará, estamos alcançando um calado de 14 metros, portanto, nós também saímos na frente nesse quesito”, explicou Alexandre Araújo, especialista em Logística, Navegação e Portos, presidente da Associação dos Profissionais de Logística da Amazônia e diretor executivo do Movimento Pró-Logística do Pará.

Segundo Alexandre, o grande potencial da região Norte é o modal aquaviário. “O advento do uso das hidrovias possui um efeito multiplicador para a economia do Pará e municípios bases dos corredores aquaviários, causando um efeito exponencial. A indústria naval também é uma das responsáveis pelo aumento dessa economia. Com a multiplicação de transportes como barcaças e empurradores, atrairíamos novos investimentos e estaleiros para a construção desses transportes. Para cada emprego gerado na indústria naval, são gerados mais cinco empregos indiretos”, afirmou Alexandre.

De acordo com o diretor executivo da Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica, Flávio Acatauassú, a logística privilegia preço, volume e depois o prazo. E dentro desse conceito, a logística é determinante para que o produto tenha um preço competitivo no mercado internacional e até no nacional. “Você precisa encontrar o caminho menos dispendioso. E esse caminho feito por dentro d’água, seja pelas hidrovias, seja pelas navegações de longo curso, é o mais barato. O que fez as pessoas começarem a vislumbrar a possibilidade de escoamento pelos portos da Amazônia, lá em 2010, é pelo fato de grande parte dessa logística ser por navegação interior”, relatou.

De acordo com Flávio, a navegação interior é mais barata que a rodoviária, pois ela tem a capacidade de transportar um maior volume de cargas com os mesmos custos. “Um caminhão leva no máximo 25 toneladas de soja, um comboio leva 50 mil toneladas. Ou seja, em um único comboio, são levadas quase 2 mil carretas. Além disso, nesse transporte haverá o mesmo número de pessoas envolvidas se fosse para um caminhão. A quantidade de combustível que será usada, cerca de uma tonelada por quilômetro, vai ser duas mil vezes mais barata do que o transporte de 50 mil toneladas por via rodoviária. Cada vez que você tem em sua logística o modal hidroviário, seu custo com transporte despenca”, disse o diretor.

SUPERANDO DESAFIOS

Apesar do grande potencial que a região oferece, entre as maiores dificuldades está o processo de licenciamento ambiental para empreendimentos que precisam executar intervenções, como construções de portos privativos ou públicos. Neste ponto, os especialistas concordam que os processos deveriam ocorrer de forma mais acelerada, com uma modernização na legislação, pois quanto maior for o tempo de espera pela liberação, maior o impacto negativo no crescimento da exportação.

“O Pará é o estado que vai ser a solução logística nacional. A logística do que eu chamo Arco Amazônico é fundamental para o crescimento do Brasil. Os gargalos estão aí para serem resolvidos e enfrentados. Nossas hidrovias desaguam na maior hidrovia do mundo, que é natural. Não há hidrovia mais bem-feita que o Rio Amazonas. Só o fato da rodovia BR-163 ter sido asfaltada já reduziu o frete em todo o país. A nossa produção agrícola é mais barata do que a americana, mas quando a gente emprega um sistema de logística ruim, nossos produtos chegam mais caros à China do que o americano. Com uma logística boa, as hidrovias e estradas funcionando, nosso produto chega muito mais barato. Esse aperfeiçoamento da logística não é bom só para o Pará, mas é excepcional para todo o Brasil”, declarou José Maria Mendonça, vice-presidente da FIEPA e presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da FIEPA.

TRANSPORTES BERTOLINI

Fundada por Irani Bertolini, quando era motorista autônomo de caminhão, a Transportes Bertolini Ltda. chegou ao Pará em 1978, quando se especializou em transporte para a Amazônia, após Irani transportar uma carga do Rio Grande do Sul para Manaus. O fundador aproveitou a estadia na cidade e, ao visitar o comércio local, ofereceu aos comerciantes transportar móveis e entregar em suas portas, ação que era muito difícil no município na época. Iniciando apenas com o transporte de cargas por rodovias, nos anos 80 a empresa também aderiu ao transporte hidroviário e hoje opera com atividade pecuária, possuindo propriedades em Paragominas, Santo Antônio do Tauá e Inhangapi, atuando com cria, recria e engorda de bovinos.

“A logística na região Norte ainda é muito difícil. Temos, por exemplo, localidades no sul do Pará que ficam muito distantes umas das outras e estradas muito complicadas. Ainda assim, é uma terra com muitas possibilidades. A Bertolini permanece investindo. O Pará é o estado onde a nossa empresa tem o maior número de filiais e onde temos feito os maiores investimentos, não somente em transportes”, relatou Daniel Bertolini, diretor da empresa.

Com o crescimento da Transportes Bertolini, nos anos 80 foram adquiridas as primeiras embarcações. “Dependíamos de outras companhias para atravessar até Manaus e achávamos que o serviço poderia ser melhor, mas não podíamos oferecer por depender dessas outras companhias. Então, compramos os primeiros barcos e balsas. Com a região sempre em crescimento, fomos acompanhando e fazendo investimentos cada vez maiores. A Bertolini tem hoje 290 embarcações navegando na Bacia Amazônica, empregando diretamente, só no Pará, 1.200 pessoas”, completou Daniel.

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