invera foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /var/www/wordpress/wp-includes/functions.php on line 6114Enquanto as ruas de Belém se enchem de emoção e devoção à Nossa Senhora de Nazaré, uma parte dessa história é construída longe das procissões, nas fábricas, oficinas, empresas e unidades de produção que, todos os anos, se preparam para acompanhar a maior manifestação religiosa do Brasil.
Antes de chegar às mãos dos promesseiros, aos altares das famílias ou às mesas do tradicional almoço do Círio, muitos produtos passam por uma cadeia que envolve trabalho, planejamento e produção. São perfumes, velas aromáticas e intercessórias, alimentos, bebidas, peças de vestuário, materiais gráficos e tantos outros itens que ganham significado especial durante o período nazareno.
Até mesmo um dos maiores símbolos da manifestação de fé, a corda que acompanha os fiéis durante as procissões, carrega a participação direta da indústria paraense.
Da indústria da transformação à economia criativa, diferentes segmentos se mobilizam para atender à demanda provocada pelo Círio. O movimento alcança a agroindústria, a indústria de alimentos e bebidas, os setores químico, gráfico e de confecção e estamparia, além de atividades ligadas à economia criativa. Em comum, essas cadeias têm a capacidade de transformar matéria-prima, trabalho e criatividade em produtos que passam a fazer parte da experiência do Círio.
Geração de empregos
O impacto do Círio de Nazaré também se reflete na geração de empregos na indústria. Conforme mostra o levantamento feito pelo Observatório da Indústria da FIEPA, entre agosto e outubro, período que concentra a preparação e a realização da festividade, a indústria de transformação da Região Metropolitana de Belém registra, em média, 1.571 contratações com carteira assinada por mês, considerando o período de 2022 a 2025. Nos demais meses do ano, a média é de 1.268 contratações mensais.
Na prática, isso representa um aumento de 23,9% nas contratações durante o período do Círio, o que evidencia um comportamento que se repetiu nos quatro anos analisados. O movimento é impulsionado principalmente pela indústria de alimentos, com destaque para a fabricação de conservas de frutas e sucos, e aparece no segmento de bebidas em Belém.
Mais do que um período de maior movimento comercial, a festividade cria uma conexão particular entre produção e identidade. Para a indústria paraense, participar desse momento significa também estar presente em uma manifestação que faz parte da história, da cultura e do cotidiano do Estado.
Para Alex Dias Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), a participação de diferentes segmentos industriais no Círio destaca a capacidade da indústria paraense de gerar desenvolvimento a partir das próprias características e manifestações do território. Ao transformar matérias-primas, conhecimento, criatividade e trabalho em produtos que fazem parte da celebração, o setor também contribui para preservar e valorizar referências que integram a identidade paraense.
“O Círio mostra a força e a diversidade da indústria paraense e a sua capacidade de estar presente em diferentes dimensões da vida do Estado. Quando a indústria participa dessa manifestação, ela não está apenas movimentando a economia, gerando emprego e renda. Ela também ajuda a preservar e valorizar a nossa cultura, nossas tradições e aquilo que nos identifica como paraenses. É desenvolvimento que reconhece o território, suas potencialidades e sua história”, afirma.
Símbolos de fé
Neste ano em que a Companhia Têxtil de Castanhal completa 60 anos, a relação da empresa com o Círio ganha um significado ainda mais simbólico. Pelo quarto ano consecutivo, a companhia participa da produção da corda que acompanha os fiéis durante a procissão.
Desde 2023, a produção é realizada no Pará, utilizando fibras naturais da Amazônia e mão de obra paraense. Para Flávio Smith, presidente da CTC e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Pará (SINDITEC), estar envolvido com um dos principais símbolos do Círio representa uma forma de retribuir ao Estado a trajetória construída pela empresa ao longo de seis décadas.
“Participar do Círio, levando às ruas de Belém um dos maiores símbolos dessa manifestação de fé, tem um significado muito especial para nós. É uma forma de agradecer ao Pará e retribuir, com o nosso trabalho, um pouco de tudo o que construímos juntos ao longo dessas seis décadas”, afirma Smith.
A participação da indústria, nesse caso, ultrapassa a fabricação de um produto. A corda deixa a fábrica e passa a ocupar um lugar central na experiência de milhares de pessoas que a seguram durante a procissão, transformando um item produzido industrialmente em símbolo de fé, promessa e devoção.
Aromas do Círio
Essa transformação também aparece na indústria química e de perfumaria. Velas, sachês, perfumes e outros produtos são desenvolvidos ou adaptados para acompanhar o período, incorporando referências à manifestação religiosa e aos símbolos de Nossa Senhora de Nazaré.
Fátima Chamma, diretora da FIEPA e vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos, Petroquímicos, Farmacêuticos, Perfumaria e Artigos de Toucador do Estado do Pará (Sinquifarma), observa que o movimento provocado pelo Círio chega a superar o período natalino em alguns segmentos. Segundo ela, há produtos criados especificamente para a festividade, com embalagens e fragrâncias pensadas para a ocasião.
Um exemplo citado por Fátima é a linha Flor de Maria, criada especificamente para a festividade. O produto começou como uma água de toilette e, ao longo de seis anos, transformou-se em uma linha completa, que continua em expansão.
A dinâmica mostra como a indústria pode incorporar elementos da cultura local ao processo produtivo. Imagens, símbolos, aromas e embalagens passam a fazer parte de produtos que encontram no Círio não apenas uma oportunidade de mercado, mas um contexto cultural específico para sua criação.
Para ela, o período também representa impactos concretos sobre a atividade econômica, com aumento de faturamento e movimentação de empregos temporários, além do aquecimento da indústria de perfumaria.
“O movimento começa ainda no fim de setembro, ganha força ao longo de outubro e permanece elevado na semana seguinte ao Círio. A cidade fica envolvida em um clima festivo, a energia de alegria, realmente faz com que quem trabalha na indústria trabalhe com amor, afinco”, relata Fátima.
Uma produção que começa antes da procissão
Se o Círio ganha as ruas em outubro, para a indústria de confecção o trabalho começa muito antes. Empresas, instituições, grupos familiares, promesseiros e marcas antecipam encomendas de peças personalizadas para o período. Por trás de uma camisa ou uniforme que chega às mãos de quem participa das celebrações, existe uma cadeia que envolve fornecedores de tecidos e insumos, estamparia, bordado, corte, costura, acabamento e logística.
Priscilla Vieira, diretora da Federação e empresária do setor têxtil, explica que a demanda exige planejamento antecipado das empresas e alcança diferentes etapas da cadeia produtiva.
Na MLX Uniformes, por exemplo, o aumento da procura é percebido especialmente nas peças personalizadas para empresas, instituições e ações comemorativas que antecedem o Círio. O movimento mostra como uma manifestação religiosa pode alcançar setores produtivos que, à primeira vista, parecem distantes das procissões.
“Esse movimento exige planejamento antecipado de produção e mostra como a festividade alcança também a indústria local de forma muito concreta”, afirma Priscilla.
Ela destaca ainda que os efeitos se espalham por empresas de diferentes portes, gerando renda, movimentando fornecedores e criando oportunidades para a indústria da moda e da confecção paraense.
A presença da indústria no Círio, entretanto, não se limita aos produtos que ganham maior visibilidade durante as procissões. O período movimenta uma série de atividades que se conectam para atender às necessidades da festividade. A agroindústria e a indústria de alimentos e bebidas participam da preparação dos produtos que chegam às mesas das famílias durante o tradicional almoço do Círio. A indústria gráfica contribui para materiais que ajudam a comunicar, identificar e registrar as celebrações. A economia criativa transforma símbolos e referências da festividade em produtos e experiências.
São diferentes formas de produção que se encontram em torno de uma mesma manifestação. Essa diversidade ajuda a compreender a dimensão do Círio para além das ruas. A celebração é religiosa, cultural e afetiva, mas também estabelece, todos os anos, uma extensa rede de trabalho que começa antes da chegada de outubro e envolve diferentes profissionais, empresas e segmentos produtivos.
Na indústria de transformação, na confecção, na perfumaria ou na produção de alimentos, cada segmento encontra sua própria maneira de acompanhar a festividade. Alguns fabricam objetos que estarão nas mãos dos promesseiros; outros criam produtos que chegam às casas das famílias; há ainda aqueles que ajudam a vestir, comunicar e registrar o período.
É assim que a indústria também acompanha o Círio. Enquanto milhares de pessoas ocupam as ruas para manifestar sua fé, uma cadeia produtiva inteira participa, de diferentes maneiras, da construção dessa experiência. São mãos que trabalham antes, durante e depois da procissão para que outros possam viver o momento.
Quanto a confiança do empresário influencia a decisão de contratar? Um novo estudo do Observatório da Indústria do Pará, da FIEPA, investiga essa relação e dimensiona como mudanças nas expectativas empresariais estão associadas à geração de empregos formais no estado.
Intitulado “Confiança que vira carteira assinada”, o levantamento analisa 72 meses, de janeiro de 2020 a dezembro de 2025, combinando o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) e dados das Sondagens Industrial e da Indústria da Construção, realizadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL Pará), com os registros de admissões e desligamentos do Novo CAGED.
A novidade está em ir além do acompanhamento isolado desses indicadores. Por meio de modelos econométricos, o estudo busca identificar em que medida e com que velocidade mudanças na confiança se refletem no emprego, revelando comportamentos distintos entre a indústria e a construção.
Os resultados mostram uma relação mais forte e imediata na construção. Na indústria, embora a resposta estimada também seja positiva, ela é menor e estatisticamente imprecisa. Essa diferença está relacionada às características de cada atividade, enquanto a construção consegue ajustar suas equipes mais rapidamente ao início e ao encerramento de obras, a indústria paraense possui forte presença de grandes plantas ligadas à mineração e à transformação mineral, com decisões influenciadas também por contratos de longo prazo e pelo mercado internacional.
Outro dado chama atenção: na construção, a relação apresenta sinais de funcionar em duas direções. As expectativas se relacionam com as contratações, mas o desempenho do emprego também ajuda a antecipar o comportamento futuro da confiança empresarial, indicando um processo de retroalimentação entre percepção e atividade econômica.
A análise ganha relevância diante do cenário observado em 2025. Em dezembro, o ICEI da construção caiu para 34,2 pontos, o menor resultado dos 72 meses analisados e inferior até ao registrado no pior momento da pandemia no setor.
Mais do que apresentar números conjunturais, “Confiança que vira carteira assinada” propõe uma nova leitura sobre os indicadores empresariais no Pará, mostrando como as expectativas podem ajudar a compreender movimentos concretos do mercado de trabalho e o porquê essa relação assume intensidades diferentes conforme a estrutura de cada setor.
O estudo completo apresenta a dimensão estimada desses efeitos, sua duração, as diferenças entre indústria e construção e os possíveis desdobramentos da deterioração recente da confiança. O material está disponível para download no site do Observatório.
A indústria do Estado do Pará encerrou os primeiros cinco meses de 2026 mostrando uma retomada do emprego formal, apesar de registrar também uma oscilação típica de uma economia muito dependente das cotações globais. De acordo com o boletim desenvolvido pelo Observatório da Indústria da FIEPA, entre altos e baixos na produção física e na arrecadação tributária, o setor consolidou sinais claros de recuperação, impulsionado principalmente por grandes projetos de infraestrutura, mineração e construção civil no interior do estado.
De janeiro a maio, a arrecadação de ICMS da indústria ampla (que envolve extração, transformação, construção, energia e saneamento) somou R$ 4,66 bilhões. O valor representa uma alta nominal de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo-se praticamente estável quando descontada a inflação (-0,4%). O resultado aponta para uma base de negócios resiliente, que consegue resistir ao cenário macroeconômico mesmo sem registrar um crescimento explosivo.
O mercado de trabalho é o grande destaque positivo de 2026. Apenas no mês de maio, a indústria paraense gerou 1.864 novos postos de trabalho com carteira assinada. Esse foi o melhor resultado mensal do ano, consolidando uma retomada que ganhou força desde fevereiro.
No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, o saldo de contratações alcançou 2.777 novas vagas formais. Esse fôlego na geração de empregos se concentrou em três pilares fundamentais ligados ao ciclo de grandes investimentos no estado: indústrias extrativas, com abertura de 940 vagas; saneamento e gestão de resíduos, com 918 novos empregos; e construção civil, que registrou saldo de 724 vagas.
Canaã dos Carajás lidera o mapa do desenvolvimento
A força da atividade industrial paraense está fortemente ancorada no interior. No topo do ranking de contratações industriais do estado, Canaã dos Carajás desponta isolada na liderança, sendo responsável pela criação de 514 vagas formais no acumulado do ano. O protagonismo do sudeste paraense é reforçado por Parauapebas, que aparece na segunda posição estadual com 399 postos criados.
A capital Belém garantiu o terceiro lugar com 264 vagas, seguida por Tomé-Açu (250) e Oriximiná (211), mostrando que o desenvolvimento tem se distribuído por polos estratégicos do estado.
Produção industrial
Apesar do otimismo no emprego, o volume de produção física da indústria local acendeu um sinal de alerta. Em abril (dado mais recente do IBGE), a produção industrial do Pará registrou recuo de 5% na comparação com o mês anterior. A indústria paraense operou com índice de 95,1 pontos (tendo 2022 como base 100), patamar inferior à média nacional de 101,9. Essa oscilação evidencia a alta exposição do estado a poucos setores.
No entanto, a fabricação de celulose, papel e produtos de papel disparou expressivos 44,4% na comparação com abril do ano passado, sustentando a liderança folgada de crescimento no acumulado de 2026 (+27,1%). Na outra ponta, os segmentos mais afetados pelas flutuações de preços internacionais e demanda interna foram a fabricação de produtos de madeira (-10,1%), de minerais não metálicos (-9,3%) e a indústria de alimentos (-9,1%).
Arrecadação por setores
A dinâmica tributária do estado também reflete essa concentração produtiva. O recolhimento de ICMS industrial de maio (R$ 938,2 milhões) ficou concentrado em três grandes pilares, que juntos respondem por 60% de toda a arrecadação da indústria ampla no Pará: eletricidade e gás (R$ 231,7 milhões); coque e derivados de petróleo [refino] (R$ 223,5 milhões); extração de minerais metálicos (R$ 112,2 milhões).
Das três grandes fontes, apenas a extração mineral registrou ganho real relevante (+6%), enquanto o setor de refino de petróleo teve recuo de 7,5% no mês. A queda simultânea na arrecadação de gigantes como a metalurgia (-24,8%) e o refino de petróleo explica por que o faturamento real do estado no mês fechou em terreno levemente negativo (-3,6%), mesmo com avanços expressivos de setores menores, como máquinas e materiais elétricos (+41,5%) e produtos químicos (+20,3%).
Apesar dos desafios globais, a disposição do paraense em empreender continua ativa. O estado mantém uma média consistente de abertura de novos negócios, registrando picos expressivos no início do ano, como a abertura de 1.517 novas empresas industriais em janeiro de 2026.
As microempresas respondem por impressionantes 81,36% do total de negócios ativos do estado (133.883 registros), atuando principalmente na construção civil e nas indústrias de transformação.
“Embora esse predomínio confira grande flexibilidade à economia local, o estudo técnico alerta que essas pequenas empresas ainda enfrentam barreiras severas de competitividade, acesso a crédito e inserção em mercados nacionais e internacionais. O grande desafio estratégico do Pará a médio e longo prazo continua sendo a capacidade de atrair investimentos que agreguem valor localmente aos recursos minerais e florestais, reduzindo a dependência histórica do estado aos ciclos de preços internacionais”, avalia o gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, Felipe Freitas.