invera foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /var/www/wordpress/wp-includes/functions.php on line 6114O projeto ‘Na Fábrica’ realizou no dia 30/08 uma visita às novas instalações da Palamaz, indústria de processamento de açaí localizada no município de Abaetetuba. Foi a retomada do projeto, que tem como objetivo fortalecer o diálogo do governo estadual com o setor produtivo, para assegurar um ambiente de negócio atrativo e competitivo às empresas paraenses. O ‘Na Fábrica’ é promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e a Companhia de Desenvolvimento do Pará (Codec).
Contemplada com incentivo fiscal pelo Estado, a Palamaz, empresa totalmente automatizada, tem capacidade instalada para processar até 200 toneladas de produto acabado por dia, além de infraestrutura para armazenagem de mais de 6 mil toneladas. O proprietário da empresa, Francisco Ferreira, diz que a aproximação de agentes com poder de decisão é fundamental para a expansão dos negócios na região. “A gente faz de tudo pra fazer o melhor, pra colocar o Pará na vanguarda da produção industrial, então essas concessões dadas pelo Governo é um fator preponderante para a nossa competitividade, pois permite que a gente reinvista esse recurso na melhoria da indústria, gerando mais empregos, gerando mais renda e fazendo circular mais dinheiro no estado, inclusive, indiretamente, contribuindo com a arrecadação de impostos”, destaca o empresário.
O ‘Na Fábrica’ iniciou em 2020 e, de lá pra cá, já atendeu diversas indústrias, de variados segmentos e regiões do Estado. A iniciativa consiste em visitas às unidades fabris, com a intenção de conhecer e entender a estrutura produtiva e de competitividade de cada uma. A partir daí inicia-se um canal de relacionamento para que as ações de políticas públicas sejam efetivadas na região. “As inovações nessa indústria já são resultado do programa, a partir dos incentivos fiscais fornecidas pelo Governo do Estado. O mais importante é a gente vê que todo o maquinário da empresa é desenvolvido pela própria empresa, o que ajuda a fomentar a geração de emprego e renda para o Estado”, diz Carlos Ledo, Secretário Adjunto da Sedeme.
“A cada nova edição do Projeto ‘Na Fábrica’, confirmamos ainda mais a importância dessa iniciativa, que estreita os laços entre empresários e o governo estadual. Isso fortalece o Sistema FIEPA na defesa do setor e na proposição de políticas públicas alinhadas às necessidades reais. A inovação tecnológica apresentada hoje na Palamaz demonstra que, com apoio, nossas empresas são competitivas”, conclui José Maria Mendonça, presidente do Conselho de Infraestrutura da FIEPA.
Em um estudo concluído em 2019 pela consultoria Bain & Company, na próxima década, o Brasil poderá suprir 45% do aumento das importações mundiais de soja e milho, sendo que quase 60% dessa capacidade adicional sairá do país por portos da região Norte. No chamado Arco Norte, o Pará é o único estado que possui uma característica de intermodalidade para o desenvolvimento das operações de transporte, pois alcança os portos por vias rodoviárias, aquaviárias, aeroviárias e, futuramente, com a Ferrogrão, também pela via ferroviária. Com isso, o estado será capaz de desenvolver plataformas de negócios para exportação e importação.
“Desde 2016, com a ampliação do Canal do Panamá, nós estamos muito mais próximos dos principais mercados globais consumidores de grãos, como o mercado asiático, do que os portos do eixo Sul e Sudeste. Por isso, houve essa ligação, por conta da geração de escala, da economia de custo de frete, pelo posicionamento geográfico estratégico e pela infraestrutura natural de calados, que é a profundidade de cais para ancorar navios de grande porte no Arco Norte. O maior porto no Brasil e América Latina é o Porto de Santos, que tem um calado de 12,6 metros. Apesar das dificuldades que temos no Pará, estamos alcançando um calado de 14 metros, portanto, nós também saímos na frente nesse quesito”, explicou Alexandre Araújo, especialista em Logística, Navegação e Portos, presidente da Associação dos Profissionais de Logística da Amazônia e diretor executivo do Movimento Pró-Logística do Pará.
Segundo Alexandre, o grande potencial da região Norte é o modal aquaviário. “O advento do uso das hidrovias possui um efeito multiplicador para a economia do Pará e municípios bases dos corredores aquaviários, causando um efeito exponencial. A indústria naval também é uma das responsáveis pelo aumento dessa economia. Com a multiplicação de transportes como barcaças e empurradores, atrairíamos novos investimentos e estaleiros para a construção desses transportes. Para cada emprego gerado na indústria naval, são gerados mais cinco empregos indiretos”, afirmou Alexandre.
De acordo com o diretor executivo da Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica, Flávio Acatauassú, a logística privilegia preço, volume e depois o prazo. E dentro desse conceito, a logística é determinante para que o produto tenha um preço competitivo no mercado internacional e até no nacional. “Você precisa encontrar o caminho menos dispendioso. E esse caminho feito por dentro d’água, seja pelas hidrovias, seja pelas navegações de longo curso, é o mais barato. O que fez as pessoas começarem a vislumbrar a possibilidade de escoamento pelos portos da Amazônia, lá em 2010, é pelo fato de grande parte dessa logística ser por navegação interior”, relatou.
De acordo com Flávio, a navegação interior é mais barata que a rodoviária, pois ela tem a capacidade de transportar um maior volume de cargas com os mesmos custos. “Um caminhão leva no máximo 25 toneladas de soja, um comboio leva 50 mil toneladas. Ou seja, em um único comboio, são levadas quase 2 mil carretas. Além disso, nesse transporte haverá o mesmo número de pessoas envolvidas se fosse para um caminhão. A quantidade de combustível que será usada, cerca de uma tonelada por quilômetro, vai ser duas mil vezes mais barata do que o transporte de 50 mil toneladas por via rodoviária. Cada vez que você tem em sua logística o modal hidroviário, seu custo com transporte despenca”, disse o diretor.
Apesar do grande potencial que a região oferece, entre as maiores dificuldades está o processo de licenciamento ambiental para empreendimentos que precisam executar intervenções, como construções de portos privativos ou públicos. Neste ponto, os especialistas concordam que os processos deveriam ocorrer de forma mais acelerada, com uma modernização na legislação, pois quanto maior for o tempo de espera pela liberação, maior o impacto negativo no crescimento da exportação.
“O Pará é o estado que vai ser a solução logística nacional. A logística do que eu chamo Arco Amazônico é fundamental para o crescimento do Brasil. Os gargalos estão aí para serem resolvidos e enfrentados. Nossas hidrovias desaguam na maior hidrovia do mundo, que é natural. Não há hidrovia mais bem-feita que o Rio Amazonas. Só o fato da rodovia BR-163 ter sido asfaltada já reduziu o frete em todo o país. A nossa produção agrícola é mais barata do que a americana, mas quando a gente emprega um sistema de logística ruim, nossos produtos chegam mais caros à China do que o americano. Com uma logística boa, as hidrovias e estradas funcionando, nosso produto chega muito mais barato. Esse aperfeiçoamento da logística não é bom só para o Pará, mas é excepcional para todo o Brasil”, declarou José Maria Mendonça, vice-presidente da FIEPA e presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da FIEPA.
Fundada por Irani Bertolini, quando era motorista autônomo de caminhão, a Transportes Bertolini Ltda. chegou ao Pará em 1978, quando se especializou em transporte para a Amazônia, após Irani transportar uma carga do Rio Grande do Sul para Manaus. O fundador aproveitou a estadia na cidade e, ao visitar o comércio local, ofereceu aos comerciantes transportar móveis e entregar em suas portas, ação que era muito difícil no município na época. Iniciando apenas com o transporte de cargas por rodovias, nos anos 80 a empresa também aderiu ao transporte hidroviário e hoje opera com atividade pecuária, possuindo propriedades em Paragominas, Santo Antônio do Tauá e Inhangapi, atuando com cria, recria e engorda de bovinos.
“A logística na região Norte ainda é muito difícil. Temos, por exemplo, localidades no sul do Pará que ficam muito distantes umas das outras e estradas muito complicadas. Ainda assim, é uma terra com muitas possibilidades. A Bertolini permanece investindo. O Pará é o estado onde a nossa empresa tem o maior número de filiais e onde temos feito os maiores investimentos, não somente em transportes”, relatou Daniel Bertolini, diretor da empresa.
Com o crescimento da Transportes Bertolini, nos anos 80 foram adquiridas as primeiras embarcações. “Dependíamos de outras companhias para atravessar até Manaus e achávamos que o serviço poderia ser melhor, mas não podíamos oferecer por depender dessas outras companhias. Então, compramos os primeiros barcos e balsas. Com a região sempre em crescimento, fomos acompanhando e fazendo investimentos cada vez maiores. A Bertolini tem hoje 290 embarcações navegando na Bacia Amazônica, empregando diretamente, só no Pará, 1.200 pessoas”, completou Daniel.