invera foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /var/www/wordpress/wp-includes/functions.php on line 6114Bolsas criadas a partir de resíduos industriais e móveis escolares produzidos de madeira que iria para o lixo são exemplos cotidianos de upcycling, conceito que, apesar de não ser novo, vem ganhando destaque por conta das técnicas sustentáveis e processo ambientalmente correto que promove. Basicamente, o upcycling consiste em dar um novo propósito a materiais que seriam descartados, com criatividade e qualidade igual ou até melhor que a do produto original.
Ao contrário da reciclagem, que envolve a criação de um novo ciclo para um produto que atingiu o fim de sua vida útil, o upcycling valoriza o próprio ciclo do produto. Ou seja, a técnica utiliza o produto já existente, dispensando qualquer necessidade de passar por processos industriais para modificação. A única mudança é que o produto passa a ter uma função diferente em relação ao seu uso original.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), das 27,7 milhões de toneladas anuais de resíduos recicláveis produzidos no Brasil, menos de 4% passa por reciclagem. Dentro do setor industrial, a prática do upcycling é considerada fundamental para o equilíbrio da produção em grande escala. “O upcycling é uma das formas de dar uma destinação mais nobre para os resíduos, evitando a destinação inadequada ou a geração de lixo. Com isso, você evita que o resíduo vá parar em um rio, nas ruas, em contaminação do solo e das águas e garante uma longevidade ao ciclo de vida de determinado produto”, explica Deryck Martins, presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da FIEPA.
Empresas do setor moveleiro, em parceria com o Sindicato da Indústria de Marcenaria do Pará (Sindmóveis), vêm realizando um importante trabalho de reaproveitamento de materiais para conscientizar a população e beneficiar famílias e instituições que precisam de novos móveis ou de reparos a partir do uso de madeiras que seriam descartadas.
A Indústria Rio Capim Modulados, precursora dessa iniciativa em Belém, atua desde 2014 transformando resíduos do setor madeireiro em novos objetos, principalmente, para creches e escolas. “A gente transforma laterais de armários sem utilidade em mesas para as crianças; painéis em desuso viram prateleiras; peças de madeira prestes a ir para o lixo, a gente pega pra fazer reparos ou até mesmo novas cadeiras”, explica o proprietário da Rio Capim, Irã Pantoja.
Para o presidente do Sindmóveis, Marcos Martins, esse tipo de iniciativa é fundamental para criar uma cultura sustentável e diminuir o descarte de resíduos no setor. “Todo o resíduo da madeira pode ser reaproveitado, mas como o setor gera muito, é necessário multiplicarmos os esforços para estender o ciclo de vida dos produtos. Nós temos discutido e avançado em projetos junto com a FIEPA, o governo e municípios para diminuir ainda mais esse desperdício”, pondera Martins.
Na MLX Uniformes, indústria do ramo do vestuário localizada no município de Ananindeua, o upcycling é parte dos esforços para dar destinação mais sustentável aos resíduos. Além de fazer parcerias com cooperativas voltadas para a reutilização, a empresa transforma as sobras de sua produção em subprodutos como, por exemplo, puffs, luvas e bolsas, agregando valor à marca.
“Já faz tempo que me incomodo com a questão dos nossos resíduos e há dois anos comecei a buscar parcerias que nos ajudem, enquanto setor, a diminuir esse descarte sem aproveitamento. Nosso segmento é o terceiro que mais polui no mundo, então o desafio é muito grande. Queremos fazer dar certo, não somente dizer que somos empresa sustentável porque está na moda”, diz Priscilla Vieira, proprietária da MLX Uniformes e diretora da FIEPA.
Segundo a empresária, com as ações de upcycling, sua indústria consegue reaproveitar metade dos resíduos diretos em subprodutos. “Pela quantidade de resíduos que a gente gera, 50% de destinação sustentável é para ser celebrado, mas sabemos que há um árduo trabalho pela frente, que depende de parcerias que envolvam cooperativas, as próprias empresas, o setor público e o privado. Upcycling é uma questão de consciência e cada um faz parte desse processo”, destaca.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/ PA) é um dos parceiros da MLX Uniformes na pauta da sustentabilidade. No Polo de Vestuário do SENAI, em Belém, há, inclusive, um curso específico de Upcycling, que contribui para a formação de novos profissionais conscientes e para amenizar o desperdício na indústria do segmento.
Durante o curso, com ênfase na sustentabilidade, os alunos desenvolvem habilidades e técnicas de reaproveitamento de materiais têxteis que seriam incinerados, com foco no desenvolvimento de novos produtos, como roupas, bolsas, brindes e acessórios. Os materiais utilizados nas aulas práticas são resíduos oriundos das indústrias de confecção locais.
A gerente do Polo de Vestuário do SENAI, Clarisse Chagas, destaca a importância do tema na dinâmica da organização. “Nós entendemos que não existe mais alternativa que não seja olhar para este lado da sustentabilidade. O Polo de Vestuário trata do ciclo de vida do produto e a gente entende que depois do descarte ele ainda pode ter um ciclo de vida extra. Então aqui a gente enxerga várias alternativas, e uma delas é o upcycling. A sustentabilidade não é fim, mas é ponte para que alcancemos uma sociedade que tenha uma dinâmica mais sustentável”, conclui.
No Pará, a partir do reaproveitamento de matérias-primas utilizadas nos processos produtivos, as indústrias locais têm buscado novos caminhos para superar desafios em consonância com o meio ambiente. É o caso da Madeireira Ebata, que utiliza madeira extraída do Manejo Florestal Sustentável como insumo para a geração de energia limpa. O caminho que a Madeireira Ebata percorre é o mesmo de muitas outras empresas que enxergaram, no reaproveitamento de matérias-primas, fontes alternativas de energia para manter sustentáveis as suas operações.
Segundo o diretor da Ebata, Leônidas Dahás, o projeto da empresa foi concebido com o objetivo de otimizar o resíduo industrial gerado na fábrica, localizada no Distrito Industrial de Icoaraci, em Belém. “Todas as empresas estão buscando alternativas para reaproveitar seus resíduos industriais. Então, investimos na geração de energia através da queima da biomassa de sobra da madeira que resulta do processo de fabricação de decks e assoalhos”, explica Leônidas. Para o empresário, o Brasil pode ser exemplo de produção sustentável de madeira, por meio das técnicas de extração de impacto reduzido desenvolvidas pelo Instituto das Concessões Florestais. Essas técnicas possibilitam a rastreabilidade da madeira através de todo o processo industrial, abrindo portas para que o resíduo gerado nas serrarias possa ser utilizado para geração de energia.
Para o empresário, o Brasil pode ser exemplo de produção sustentável de madeira, por meio das técnicas de extração de impacto reduzido desenvolvidas pelo Instituto das Concessões Florestais. Essas técnicas possibilitam a rastreabilidade da madeira através de todo o processo industrial, abrindo portas para que o resíduo gerado nas serrarias possa ser utilizado para geração de energia.
Outra iniciativa que também está em andamento é o estudo para uso do caroço de açaí como biomassa. A Alunorte acredita que o caroço do açaí, quando misturado ao carvão mineral, poderá ser usado como combustível nas caldeiras da refinaria. O estudo está sendo realizado em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA), com duração de um ano e investimento de cerca de R$ 500 mil.
Assim como a Ebata, a Alunorte, maior refinaria de alumina fora da China, decidiu fazer uma mudança da matriz energética e colocou para operar a primeira caldeira elétrica com tecnologia mais moderna e com maior capacidade. O investimento foi de aproximadamente R$ 42 milhões. A capacidade nominal de geração da nova caldeira é de aproximadamente 95 toneladas de vapor por hora, consumindo 60 megawatts e com potencial para redução na ordem de 100 mil toneladas de CO2 por ano. O projeto foi executado em cerca de 20 meses.
Com resultados positivos, outras duas caldeiras estão em fase de projeto com expectativa de iniciar a operação em 2024. Essa nova matriz energética na Alunorte é um capacitador-chave da estratégia climática global da Hydro. Além disso, a empresa também está em fase de construção do projeto de substituição do óleo combustível por gás natural na refinaria. Em 2021, a Hydro anunciou o investimento de R$ 1,3 bilhão em um projeto de implementação do gás natural liquefeito (GNL) na Alunorte. O contrato foi assinado com a New Fortress Energy (NFE) com o objetivo de receber fornecimento de GN por 15 anos.
Em Marituba, a Guamá Tratamento de Resíduos investiu R$ 4 milhões para a instalação e funcionamento de uma usina de biogás no aterro sanitário que atende a Região Metropolitana de Belém. Desde dezembro de 2021, o empreendimento conta com uma rede coletora de gases, instalada para captar o gás metano gerado durante o tratamento de resíduos e direcioná-lo até um espaço enclausurado para o aproveitamento.
O biogás de aterros sanitários, gerado pela decomposição de matéria orgânica em ambiente sem a presença de oxigênio, possui como principais componentes o dióxido de carbono e o metano. Este último é um gás de efeito estufa, que influencia as mudanças climáticas em todo o planeta. O sistema de tratamento de biogás instalado na empresa visa reverter o quadro poluente.
“Tratar o gás que é gerado traz ganhos ambientais na medida em que transforma o metano em água e gás carbônico. Esses produtos reduzem o impacto na camada de ozônio ao minimizar em até 25 vezes as emissões de carbono na atmosfera”, explica o diretor regional da Guamá Tratamento de Resíduos, José Reginaldo Bezerra. No aterro sanitário de Marituba, esse processo também reduz consideravelmente a emissão dos odores característicos da atividade.
Além dos benefícios climáticos, o gás metano é fonte de energia elétrica limpa e renovável. Por isso, até o final de 2022, a empresa planeja a instalação de uma usina termoelétrica que produzirá cerca de dois megawatts por hora. A energia será consumida dentro do próprio aterro. “Transformar em benefícios ambientais e energéticos algo que muitos veem como transtorno significa aproveitar ao máximo todas as possibilidades para que o aterro sanitário vá além da sua atividade fim, que é o tratamento de resíduos com excelência. Representa um passo à frente na perspectiva da sustentabilidade”, destaca Reginaldo Bezerra.